O Ministério Público Federal (MPF) denunciou quatro pessoas suspeitas de integrar uma organização criminosa responsável por abastecer, de forma contínua, o garimpo ilegal na Terra Indígena Sararé, em Mato Grosso. O caso é desdobramento da Operação Última Gota, iniciada em fevereiro deste ano.
Segundo as investigações, uma fazenda utilizada pelo grupo funcionava como um verdadeiro posto clandestino de combustível. No local, equipes de fiscalização encontraram um tanque com capacidade para 15 mil litros de diesel, além de estrutura semelhante à de um estabelecimento comercial voltado ao atendimento de garimpeiros, que tinham livre acesso à propriedade.
Imagens aéreas reforçaram as suspeitas ao mostrar o transporte de galões de combustível por uma rota que ligava diretamente a fazenda às áreas de extração ilegal dentro da terra indígena.
A apuração também identificou que a compra de diesel era feita de forma fracionada, com o objetivo de driblar a fiscalização da Agência Nacional do Petróleo (ANP). Para isso, o grupo utilizava “laranjas” nas transações, ocultando o verdadeiro responsável pelo esquema. Em apenas um mês, o volume adquirido chegou a 260 mil litros, número considerado incompatível com a atividade rural declarada.
De acordo com o MPF, entre setembro de 2023 e fevereiro de 2026, o grupo teria movimentado cerca de 5 milhões de litros de diesel, gerando mais de R$ 26 milhões. A atuação, conforme a denúncia, sustentava diretamente a exploração ilegal de recursos minerais, com impactos ambientais e patrimoniais.
Os denunciados podem responder por associação criminosa, usurpação de bens da União, extração ilegal de recursos minerais com dano ambiental, além de armazenamento e comercialização de substância perigosa e posse irregular de arma de fogo.
A Justiça Federal já recebeu parcialmente a denúncia, permitindo o andamento da ação penal quanto aos crimes ambientais, patrimoniais e de associação criminosa.
Durante a operação, três prisões preventivas chegaram a ser decretadas, sendo duas cumpridas. No entanto, o apontado líder do grupo foi colocado em liberdade por decisão do Tribunal Regional Federal da 1ª Região, que substituiu a prisão por medidas cautelares. Um dos investigados segue preso, enquanto outro permanece foragido.
O processo tramita sob sigilo judicial, em razão da continuidade das investigações.
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