Ministro prevê retomada de leilões ferroviários: medida reduz custo logístico de Mato Grosso

Investimentos federais e estaduais em ferrovias prometem transformar a logística do agronegócio e aproximar municípios como Lucas do Rio Verde dos principais corredores de exportação do país

Mato Grosso, maior produtor de grãos do Brasil, deve ocupar papel de destaque na nova fase de expansão ferroviária anunciada pelo Governo Federal. Durante participação no programa Bom Dia, Ministro, nesta semana, o ministro dos Transportes, George Santoro, destacou que o país vive um dos maiores ciclos de investimentos ferroviários das últimas décadas, com previsão de leilões e novos projetos que incluem o estado entre as prioridades nacionais.

Ao abordar os desafios da infraestrutura brasileira, Santoro lembrou que o país passou décadas sem investimentos consistentes no modal ferroviário. Segundo ele, o Brasil chegou a possuir cerca de 35 mil quilômetros de ferrovias, mas atualmente conta com aproximadamente 10 mil quilômetros em operação.

A mudança desse cenário é considerada estratégica para estados produtores como Mato Grosso, onde o custo do transporte ainda representa um dos principais gargalos para a competitividade do agronegócio. O ministro citou como exemplo a necessidade de reduzir os custos logísticos enfrentados pelos produtores mato-grossenses.

“Não é possível que transportar uma carga de Mato Grosso até Santos custe mais caro do que levar essa mesma carga de Santos para a China”, afirmou.

Mato Grosso no centro dos investimentos

Dentro da Política Nacional de Concessões Ferroviárias, o Governo Federal prevê oito leilões ferroviários em 2026, incluindo um projeto em Mato Grosso. A iniciativa integra um pacote de aproximadamente R$ 160 bilhões em investimentos que busca ampliar a participação das ferrovias na matriz logística nacional dos atuais 17,7% para 34,6% até 2035.

Para Mato Grosso, o avanço das ferrovias representa uma oportunidade histórica de ampliar a capacidade de escoamento da produção agrícola, reduzir custos de transporte e fortalecer a ligação com portos e centros consumidores.

Entre os projetos que vêm ganhando destaque está a expansão da malha ferroviária rumo ao médio-norte do estado. Lucas do Rio Verde, um dos maiores polos do agronegócio brasileiro, está no traçado da futura ferrovia estadual em construção, considerada uma das obras mais aguardadas pelo setor produtivo. Quando concluída, a ligação ferroviária permitirá que a produção de grãos, farelos e biocombustíveis da região tenha acesso mais eficiente aos mercados nacional e internacional.

Governo aposta em novo modelo ferroviário

Segundo Santoro, o avanço dos projetos ocorre graças a um novo modelo de desenvolvimento ferroviário, que combina participação pública e investimentos privados. A proposta busca acelerar a recuperação e implantação de trechos considerados estratégicos, reduzindo etapas burocráticas e tornando os projetos mais atrativos para investidores.

O ministro destacou que o Governo Federal identificou cerca de 25 mil quilômetros de linhas ferroviárias sem utilização ou em condições precárias, criando uma carteira de projetos para recuperação e reativação desses corredores logísticos.

A expectativa é que o modelo permita acelerar a expansão da infraestrutura ferroviária brasileira e atraia novos investidores nacionais e internacionais para o setor.

Logística para sustentar o crescimento das exportações

O fortalecimento da malha ferroviária é visto como essencial para acompanhar o crescimento das exportações brasileiras. Nas últimas décadas, o país multiplicou sua participação no mercado global de alimentos e a tendência é de expansão contínua nos próximos anos.

Nesse cenário, Mato Grosso surge como peça-chave. Responsável por liderar a produção nacional de soja, milho, algodão e carnes, o estado depende cada vez mais de corredores logísticos eficientes para manter sua competitividade.

A chegada das ferrovias ao norte mato-grossense, especialmente a regiões como Lucas do Rio Verde, tende a reduzir o fluxo de caminhões nas rodovias, diminuir custos operacionais e aumentar a capacidade de movimentação de cargas, consolidando o estado como um dos principais hubs logísticos do agronegócio brasileiro.

Novas fontes de financiamento

Outra medida anunciada pelo Ministério dos Transportes é a criação de uma linha especial de financiamento do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) voltada exclusivamente para projetos ferroviários.

A expectativa do governo é que as condições diferenciadas de crédito atraiam investidores nacionais, europeus e asiáticos, ampliando a capacidade de execução dos projetos previstos para os próximos anos.

Com investimentos bilionários em andamento e novos empreendimentos previstos, Mato Grosso caminha para assumir papel ainda mais relevante na logística nacional, transformando municípios estratégicos como Lucas do Rio Verde em pontos fundamentais da integração entre produção agrícola e mercados consumidores.

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