Mato Grosso deve registrar em 2026 um dos maiores valores da produção agropecuária da sua história, mesmo diante de uma leve retração anual. A 2ª estimativa do Valor Bruto da Produção (VBP), divulgada pelo Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), projeta R$ 208,35 bilhões, queda de 2,18% em relação aos R$ 213 bilhões estimados para 2025.
Apesar do recuo, o indicador permanece em patamar elevado, refletindo a resiliência da atividade agropecuária no estado. O VBP mede os valores movimentados “da porteira para dentro”, considerando preços médios e volume de produção em determinado período.
Conforme o Imea, a composição do VBP para 2026 deve ser liderada pela agricultura, com 76,84%, enquanto a pecuária responde por 23,16%. A retração geral é atribuída principalmente à queda de 4,28% no segmento agrícola, influenciada por menor produção e preços médios inferiores aos do ciclo anterior. Em contrapartida, a pecuária deve crescer 5,49%, impulsionada pela valorização dos preços em um cenário de oferta mais restrita.
Desempenho por cadeias produtivas
Na cadeia da soja, a projeção do VBP para 2026 é de R$ 92,74 bilhões, recuo de 1,03% em relação a 2025. De acordo com o boletim, a queda é explicada principalmente pela redução nos preços médios, embora a produção estimada para a safra 2025/26 tenha leve alta de 1,02%, amenizando o impacto.
Para o milho, o VBP estimado é de R$ 38,69 bilhões, retração de 1,19%. Segundo o Instituto, o resultado reflete a expectativa de menor produção, diante de incertezas quanto à produtividade, ainda que os preços permaneçam acima dos níveis do ciclo anterior.
O algodão apresenta a maior queda entre as culturas analisadas, com VBP projetado em R$ 23,90 bilhões, redução de 18,36%. Conforme o Imea, o recuo está ligado à diminuição da área plantada e à menor produtividade esperada, em um cenário de margens mais apertadas.
Na pecuária de corte, o VBP deve atingir R$ 42,10 bilhões, alta de 6,87%. O avanço é atribuído à valorização da arroba, em meio à menor oferta de animais para abate e à retenção de fêmeas, conforme análise do Instituto.
Já a suinocultura projeta VBP de R$ 2,66 bilhões, queda de 6,11%, impactada pela redução dos preços após níveis elevados em 2025. Por outro lado, a produção cresce e ajuda a conter perdas mais acentuadas.
No setor de aves, a estimativa é de R$ 2,76 bilhões, avanço de 0,81%. O desempenho é sustentado pela demanda e pela recuperação do status sanitário, mesmo com recuo na produção.
Segundo o Imea, os dados consolidam um cenário de ajuste após recordes recentes, com a atividade mantendo relevância econômica e expectativa de estabilidade em níveis historicamente elevados para o estado.
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