Mato Grosso projeta expansão de florestas plantadas para assegurar suprimento de biomassa industrial

Plano estratégico prevê triplicar área de florestas comerciais até 2040 para garantir segurança energética das usinas de etanol e reduzir dependência de madeira nativa.

O Governo de Mato Grosso oficializou um plano estratégico para triplicar a área de florestas plantadas no estado até 2040, visando atender à crescente demanda por biomassa nas indústrias, com destaque para as usinas de etanol de milho.

A meta estabelecida pela Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema-MT) prevê saltar dos atuais 200 mil hectares para 700 mil hectares de florestas comerciais. O planejamento responde ao cenário de expansão acelerada do setor de biocombustíveis, que exige fontes energéticas estáveis para o funcionamento de suas caldeiras.

A iniciativa fundamenta-se na avaliação técnica de que a madeira oriunda da supressão vegetal legal não será suficiente para suprir a necessidade industrial a longo prazo.

Embora a legislação atual permita o aproveitamento de biomassa resultante de aberturas de áreas autorizadas pelo Código Florestal, a gestão estadual considera inviável, do ponto de vista estratégico, manter o setor dependente dessa fonte. A proposta é promover uma transição para o uso de madeira plantada, garantindo maior segurança operacional e sustentabilidade ao crescimento das usinas mato-grossenses.

O plano também aborda a transição ambiental, estabelecendo metas de descarbonização que buscam eliminar a necessidade de supressão de vegetação nativa para fins de biomassa industrial até 2035. Para viabilizar esse aumento na oferta, o estado aposta no reflorestamento de áreas degradadas ou com capacidade produtiva reduzida.

Essa mudança de perfil busca reforçar o caráter sustentável do etanol de milho produzido no estado, especialmente após questionamentos de órgãos de fiscalização sobre a origem da matéria-prima florestal utilizada nas caldeiras.

Atualmente, Mato Grosso lidera a produção nacional de etanol de milho, contando com dez usinas em operação e diversos projetos de expansão para os próximos anos. A transição para o eucalipto e outras espécies plantadas é vista como um passo essencial para manter a competitividade do setor.

Paralelamente, o governo ressalta que o estado mantém 60% de seu território preservado, o que permite o desenvolvimento simultâneo do manejo florestal sustentável em conformidade com as diretrizes de preservação do Cerrado e da Amazônia.

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