Mato Grosso cria Rota dos Primatas e expande turismo de observação na Amazônia

Lançado na Avistar 2026, projeto integra hotéis de selva e reservas privadas com roteiro de 15 dias para avistamento de até 15 espécies em habitat natural.

Mato Grosso deu mais um passo para se consolidar como um dos principais eixos globais de ecoturismo. Durante a feira Avistar Brasil 2026, realizada na capital paulista, o governo estadual, por meio da Secretaria de Desenvolvimento Econômico (Sedec), lançou oficialmente a Rota dos Primatas de Mato Grosso.

O circuito foi planejado para atrair viajantes de nicho, fotógrafos e cientistas focados no avistamento de mamíferos em áreas preservadas da Amazônia mato-grossense.

O itinerário conecta reservas particulares, pousadas ecológicas e comunidades tradicionais que atuam na conservação florestal.

O percurso completo foi projetado para ser cumprido em um período médio de 15 dias, intervalo no qual os visitantes podem registrar o comportamento de até 15 espécies de primatas livres na natureza.

Geografia do roteiro e polos de ecoturismo

A espinha dorsal da nova rota concentra-se na porção norte e médio-norte do estado, interligando três municípios estratégicos que já contam com infraestrutura voltada ao turismo de natureza:

  • Alta Floresta
  • São José do Rio Claro
  • Sinop

Mato Grosso já possui forte apelo internacional devido ao turismo de observação de onças-pintadas no Pantanal e pelo birdwatching (observação de aves).

Dados apresentados na feira paulista apontam que o estado abriga dois dos cinco hotéis de selva mais conceituados do Brasil para o monitoramento de aves e fauna: o Cristalino Lodge, em Alta Floresta, e o Jardim da Amazônia Lodge, em São José do Rio Claro. A nova rota utiliza essa estrutura já consolidada para capitanear o mercado de primatologia turística.

Articulação científica e o “encontro de biomas”

A engenharia do projeto começou a ser desenhada há mais de uma década. Os primeiros debates técnicos ocorreram em 2015, sob a tutela da Sociedade Brasileira de Primatologia, e ganharam escala comercial recentemente devido à demanda global por experiências ligadas à sustentabilidade.

De acordo com o professor da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) em Sinop e membro da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN), Gustavo Canale, a transição geográfica do estado é o fator que viabiliza a riqueza do roteiro.

“Mato Grosso é um estado único por ser esse encontro de biomas [Amazônia, Cerrado e Pantanal]. Hoje o Cristalino Lodge e o Jardim da Amazônia já estão entre os principais pontos de observação de aves do país e agora começamos a consolidar também a rota dos primatas”, explicou o pesquisador.

Florestas em pé e posicionamento internacional

Do ponto de vista socioeconômico, a iniciativa governamental foca na bioeconomia. Ao estruturar uma cadeia de serviços ao redor do turismo científico e de aventura, o Estado pretende gerar fluxos financeiros alternativos para propriedades rurais e vilas locais, estimulando a manutenção da cobertura vegetal nativa por meio do turismo de base comunitária.

Segundo a turismóloga Simone Lara Pinto, servidora da Sedec, a inserção da rota em feiras nacionais e eventos globais — a exemplo da Birdfair, realizada anualmente na Inglaterra — serve para aproximar os empreendedores mato-grossenses de operadoras internacionais de turismo de alta renda, aumentando o tempo de permanência e o gasto médio dos estrangeiros que visitam o interior do estado.

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