Março termina com alta nos feminicídios em Mato Grosso; 14 crianças ficaram órfãs no mês

Diante do cenário, o MPMT e órgãos de segurança pública intensificaram o alerta para que mulheres em situação de risco busquem ajuda precocemente.

Mato Grosso encerrou o mês de março de 2026 com um balanço alarmante na violência de gênero. Dados do Ministério Público de Mato Grosso (MPMT) apontam que o mês, ironicamente dedicado às celebrações pelo Dia Internacional da Mulher, registrou seis casos de feminicídio. O número é superior aos meses de janeiro e fevereiro deste ano e também ultrapassa as estatísticas de março de 2025. Com isso, o estado já acumula dez mortes violentas de mulheres por questões de gênero apenas no primeiro trimestre de 2026.

Os crimes ocorreram em cidades como Cuiabá, Rondonópolis e Lucas do Rio Verde, evidenciando que a violência não se restringe a uma única região. A maioria dos ataques aconteceu dentro das residências das vítimas, locais que deveriam ser de segurança. O impacto social dessas tragédias é profundo: os crimes cometidos em março deixaram 14 crianças órfãs. Em relação aos métodos utilizados, houve predominância do uso de armas brancas, mas também foram registrados casos com arma de fogo e até atropelamento proposital.

Um dado que preocupa as autoridades é a ausência de amparo legal prévio: em nove dos dez casos registrados este ano, as vítimas não haviam solicitado medidas protetivas contra seus agressores. O Ministério Público reforça que a medida protetiva é uma ferramenta jurídica fundamental para afastar o agressor e pode ser o diferencial entre a vida e a morte. Sem o registro da denúncia e o pedido de proteção, as forças de segurança e a rede de apoio encontram dificuldades para intervir preventivamente.

Diante do cenário, o MPMT e órgãos de segurança pública intensificaram o alerta para que mulheres em situação de risco busquem ajuda precocemente. Além dos canais de denúncia, o estado oferece suporte por meio de políticas públicas integradas, que incluem desde o atendimento psicossocial no Sistema Único de Saúde (SUS) até casas de amparo. A conscientização sobre a gravidade dos sinais de abuso e a importância do registro oficial permanecem como as principais estratégias para frear a escalada de violência no território mato-grossense.

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