A indústria de esmagamento de soja registrou uma queda de 3,2 pontos percentuais na margem operacional em Mato Grosso, conforme levantamento divulgado pelo Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (Imea). O recuo foi impulsionado pela alta nos preços do grão no estado.
De acordo com o relatório, a saca de 60 kg da soja alcançou R$ 158,30, o que representa um acréscimo de 7,4% em comparação com o mês de junho. Em contrapartida, o farelo de soja registrou uma valorização bem mais modesta, de apenas 2,1%, cotado a R$ 84,50 por tonelada. Esse descompasso entre a matéria-prima e o produto final pressionou diretamente a rentabilidade das indústrias de processamento.
Destaques do Levantamento do Imea:
- Queda na Margem: Retração de 3,2 pontos percentuais na margem operacional.
- Preço da Soja: Alta de 7,4%, atingindo R$ 158,30 por saca de 60 kg.
- Preço do Farelo: Reajuste tímido de 2,1%, alcançando R$ 84,50 por tonelada.
- Impacto Financeiro: Estimativa de perda de até R$ 45 milhões para o setor no trimestre atual.
Impacto na cadeia produtiva e proteína animal
A compressão das margens afeta severamente o setor de esmagamento e repercute sobre as integradoras de proteína animal, que dependem diretamente do farelo de soja como insumo básico na ração de aves e suínos. Diante dos custos elevados de energia e frete, a projeção é de perdas estimadas em até R$ 45 milhões para o setor no trimestre vigente.
Especialistas apontam que a redução na rentabilidade pode frear novos investimentos em infraestrutura e expansão da capacidade de processamento no estado, além de abrir margem para reajustes futuros nos preços do farelo para os produtores rurais.
Cenário internacional e medidas de apoio
No mercado externo, o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) reportou a venda de 132 mil toneladas de soja americana para a China, fator que fortalece a demanda global e sustenta as cotações internacionais. Paralelamente, projeções indicam revisões para baixo na oferta brasileira da safra 2026/27 em áreas do Centro-Sul, o que pode impactar a competitividade do produto nacional no exterior.
Como tentativa de amenizar o cenário adverso, a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) prorrogou o edital voltado à armazenagem de farelo de soja. A medida busca otimizar a logística e aliviar as pressões financeiras de curto prazo sobre as esmagadoras. Contudo, analistas do Imea alertam que, caso a valorização da soja persista, a indústria poderá ser forçada a repassar custos para o preço de venda do farelo a fim de garantir a sobrevivência operacional do setor.
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