A caçada a um guia turístico virou prioridade das forças de segurança após a descoberta de um golpe que tentou usar a imagem do presidente do Tribunal de Justiça. O investigado Felipe Marcelo da Silva Fontes Nazário é o único alvo com mandado de prisão que ainda não foi localizado, conforme informações das autoridades que conduzem o caso.
Segundo a apuração, ele é suspeito de participação direta no episódio que envolveu a entrega de um envelope com R$ 10 mil no Fórum de Cuiabá, no dia 12 de agosto de 2025, em uma ação articulada por pessoas que se passavam por magistrados do Judiciário de Mato Grosso.
A investigação é conduzida pelo Núcleo de Ações de Competência Originária, que na semana passada deflagrou uma operação para desarticular o grupo. Na ocasião, foram presos o advogado Rafael Valente, o policial militar Eduardo Soares de Moraes e Christoffer Augusto dos Santos Souza, apontado como traficante. Todos são suspeitos de criar e operar perfis falsos de magistrados para aplicar golpes.
Durante a mesma ação, agentes recolheram R$ 350 mil na residência do soldado da Polícia Militar José Menino de Souza Araújo. Apesar da apreensão, ele não teve mandado de prisão expedido e permanece em liberdade, enquanto o dinheiro foi confiscado para análise no inquérito.
De acordo com dados obtidos na investigação, Nazário se apresentava como guia turístico em Chapada dos Guimarães, Nobres, Cuiabá e Jaciara. No dia do episódio, ele teria estado no Fórum prestando auxílio logístico aos demais envolvidos, responsáveis por organizar a entrega do envelope.
As apurações indicam que o envelope foi repassado por Eduardo Soares de Moraes a um motorista de aplicativo no estacionamento do Fórum, com destino ao Tribunal de Justiça. O serviço, porém, não foi concluído como planejado. O motorista desconfiou da situação e, ao chegar à portaria do Judiciário, informou que não localizou o suposto destinatário.
Foi a partir dessa atitude que servidores e forças de segurança identificaram o conteúdo do pacote e acionaram os órgãos responsáveis. Questionado, o motorista apresentou no celular um contato que usava o nome e a imagem do desembargador José Zuquim, presidente do Tribunal de Justiça, caracterizando a tentativa de fraude.
Imagens e versões em análise
Câmeras de segurança do estacionamento do Fórum registraram o momento em que o sargento da PM teria entregue o envelope ao motorista. Em sua defesa, ele afirma que apenas cumpriu um pedido feito por Laura Kellys Bezerra da Cruz, ex-esposa de outro policial militar investigado no mesmo contexto.
Esse policial, Jackson Pereira Barbosa, é apontado pelo Ministério Público como intermediador entre um casal de empresários e policiais militares suspeitos de executar o ex-presidente da OAB-MT, Renato Nery. A execução ocorreu em Cuiabá, em julho de 2024, e é investigada sob a suspeita de ligação com disputas judiciais por terras.
Próximos passos
As autoridades seguem em busca de Nazário e trabalham para concluir a identificação de outros integrantes do esquema. Segundo os investigadores, novas diligências e oitivas devem ocorrer para esclarecer o papel de cada envolvido e definir eventuais responsabilidades criminais. As informações são de órgãos de segurança e do Ministério Público que acompanham o caso.
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