Genética eleva produção de leite e transforma agricultura familiar em MT

Projetos do governo levaram genética de alto valor ao campo, multiplicando a produtividade por vaca e mudando a renda de famílias produtoras.

A produtividade do leite na agricultura familiar deu um salto imediato em propriedades de Mato Grosso após investimentos diretos em melhoramento genético. Em algumas fazendas atendidas pelos projetos estaduais, a produção por vaca saiu de três litros para picos de até 16 litros por dia, alterando de forma concreta a renda e a dinâmica do trabalho no campo.

O resultado é consequência de uma política contínua do Governo do Estado que direcionou R$ 10,5 milhões à biotecnologia aplicada ao rebanho leiteiro. A estratégia, executada pela Seaf-MT com acompanhamento técnico da Empaer-MT, combinou genética de alto valor, assistência permanente e acesso à tecnologia para pequenos produtores.

Entre 2020 e 2025, o programa distribuiu 36.297 doses de sêmen convencional e sexado de raças leiteiras como Holandês, Jersey, Girolando e Gir Leiteiro. As ações alcançaram 60 municípios e cinco cooperativas, ampliando o potencial de formação de rebanhos mais produtivos e adaptados à realidade da agricultura familiar.

Somente em 2025, a secretaria adquiriu 8.275 doses de sêmen, sendo a maioria sexada, o que acelerou a formação de plantéis voltados exclusivamente à produção de leite. O foco, segundo a gestão estadual, não foi apenas aumentar volume, mas melhorar eficiência e reduzir custos por litro produzido.

Para a secretária de Agricultura Familiar, Andreia Fujioka, o impacto vai além dos números. Conforme explicou, o acesso à tecnologia levou o produtor a enxergar o leite como um negócio viável e competitivo, rompendo com a lógica de subsistência e criando condições reais de permanência no campo.

Transferência de embriões e mudança de perfil produtivo

Outro eixo decisivo foi o Projeto de Melhoramento Genético por Transferência de Embriões, iniciado em 2020 e mantido até hoje. Nesse período, foram realizadas 4.378 prenhes sexadas de fêmeas em 34 municípios, beneficiando diretamente 925 produtores acompanhados pela Empaer.

O modelo operacional envolveu termos de cooperação com prefeituras e parcerias com cooperativas e associações, que entraram com contrapartida adicional de prenhes. A iniciativa ampliou o alcance do projeto e foi reconhecida com prêmio de inovação e eficiência, conforme dados da própria secretaria.

De acordo com a médica-veterinária Vânia Ângela Kohl, coordenadora do programa, a principal transformação ocorreu na mentalidade dos produtores. Com assistência técnica contínua, eles passaram a entender que manter vacas de baixa produção deixou de ser economicamente viável diante do acesso à genética superior.

Casos práticos confirmam o impacto no campo

Em Pontes e Lacerda, o produtor Marcus Aurélio, do Sítio Recanto, viu a produção individual saltar de três litros para média de 16 litros por vaca. Segundo ele, o objetivo é garantir renda sem abandonar a propriedade e manter a família no campo com estabilidade.

No município de Vera, a aplicação da transferência de embriões mudou a rotina de um casal de produtores que dependia de 20 vacas com baixa produtividade. Após a primeira cria, a produção diária chegou a 178 litros, com expectativa de aumento na segunda gestação, conforme relataram os próprios produtores.

Além disso, o Projeto de Fornecimento de Novilhas Prenhes entregou 324 animais a 177 produtores entre 2022 e 2024, sempre com assistência técnica obrigatória por um ano. Em 2025, uma nova licitação garantiu a continuidade da ação, sinalizando que os próximos passos incluem a expansão do modelo e o fortalecimento da cadeia leiteira no estado, segundo informações da Secretaria de Agricultura Familiar.

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