Edital da Secel impulsiona documentários culturais em Mato Grosso

Iniciativa financiada pela Lei Paulo Gustavo viabiliza produções que preservam memórias e tradições afro-brasileiras.

Conforme divulgado pela Secretaria de Estado de Cultura, Esporte e Lazer (Secel-MT), o edital da Secel voltado ao Documentário Temático, com recursos da Lei Paulo Gustavo (LPG), está viabilizando a produção de filmes que registram referências culturais históricas de Mato Grosso. Entre os títulos com lançamento confirmado estão “Terreiro Ancestral de Toty, o Rei do Congo” e “Vó Maria”, obras que abordam manifestações religiosas e identitárias de matriz afro-brasileira.

Produções que preservam a memória cultural

O edital da Secel integra a política estadual de fomento ao audiovisual e tem como objetivo registrar saberes tradicionais, mestres da cultura popular e territórios simbólicos. Segundo nota oficial da Secel-MT, o investimento total alcançou R$ 1,95 milhão, incluindo aporte adicional para ampliar o número de projetos contemplados, conforme previsto em documento oficial disponível no portal do Governo do Estado.

Terreiro Ancestral de Toty, o Rei do Congo

Dirigido por Cláudio Dias, o documentário retrata a trajetória de Toty, referência da Dança do Congo, manifestação secular presente em Nossa Senhora do Livramento e Vila Bela da Santíssima Trindade. Conforme apurado pela reportagem, as gravações ocorreram em Nossa Senhora do Livramento, na comunidade quilombola de Mata Cavalo, e em Cuiabá, onde Toty mantém residência e um terreiro de umbanda.

Toty iniciou sua relação com o Congo ainda na infância e tornou-se guardião da tradição ao criar o Congo Mirim, iniciativa que assegura a transmissão do saber às novas gerações. A obra destaca a dimensão religiosa e histórica da dança, associada à devoção a São Benedito e à resistência negra. Com cerca de 25 minutos, o filme tem estreia marcada para este sábado (10), segundo a produção.

Vó Maria

O curta-metragem dirigido por Jade Rainho acompanha os últimos anos de vida de Maria José da Silva Matos (1939–2024), conhecida como Vó Maria, fundadora do Centro Espírita Pai de Jeremias, a casa de Umbanda mais antiga da Baixada Cuiabana. A cineasta relata que o falecimento da personagem durante as filmagens levou o documentário a um registro ainda mais íntimo e conceitual.

Mesmo com a saúde fragilizada, Vó Maria seguia realizando atendimentos espirituais diários, sendo cuidada pela comunidade. O filme constrói uma narrativa poética e não linear, baseada na oralidade, na memória e na fé, com estreia prevista no circuito de festivais no primeiro semestre de 2026.

Dados do edital

  • Investimento total: R$ 1,95 milhão
  • Projetos contemplados: 13
  • Valor por projeto: R$ 150 mil

Além dos dois documentários, o edital da Secel também viabilizou títulos como “Flor de Atalaia – os Guardiões do Siriri Cuiabano”, “Fé e Identidade da Comunidade de Bocaina” e “Casa Xingu”. A lista completa está disponível em link oficial da Secel-MT.

Reportagem baseada em informações oficiais da Secretaria de Estado de Cultura, Esporte e Lazer (Secel-MT) e da Lei Paulo Gustavo.

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