Produção indígena Gente de Verdade ganha destaque na Seleção TV Brasil

Série documental protagonizada por indígenas está entre os 39 projetos escolhidos e aborda a preservação da identidade do povo Paiter Suruí.

A série documental Gente de Verdade foi selecionada na chamada pública Seleção TV Brasil e se destaca por retratar a preservação da memória e identidade do povo indígena Paiter Suruí, na Amazônia brasileira.

A produção faz parte do conjunto de obras contempladas pela Empresa Brasil de Comunicação (EBC), com recursos do Fundo Setorial do Audiovisual. Ao todo, 39 projetos foram escolhidos, somando um investimento de R$ 109,8 milhões — o maior já destinado pelo Estado brasileiro à produção de conteúdo audiovisual para a televisão pública.

A iniciativa integra o Programa de Apoio ao Desenvolvimento do Audiovisual Brasileiro (Prodav), vinculado ao Ministério da Cultura e à Agência Nacional do Cinema (Ancine).

Selecionada na categoria Sociedade e Cultura, a série é ambientada na Terra Indígena Sete de Setembro, entre Rondônia e Mato Grosso, onde vive o povo Paiter Suruí. A comunidade enfrenta mudanças profundas desde o primeiro contato com não indígenas, ocorrido há pouco mais de cinco décadas, incluindo a perda de práticas tradicionais e o enfraquecimento da língua originária.

Com oito episódios de 26 minutos, a narrativa acompanha quatro personagens de diferentes gerações — Ubiratan, Agamenon, Celesty e Kennedy — que buscam manter viva a identidade cultural diante de influências externas, como a religião cristã, a urbanização e o avanço tecnológico.

A obra se diferencia por ser conduzida pelos próprios indígenas, oferecendo uma perspectiva interna e autêntica sobre os desafios e vivências do povo Suruí. A direção é assinada por Ubiratan Suruí, enquanto o roteiro é de Natália Tupi, ambos indígenas.

A série também aborda a descoberta de um acervo fotográfico produzido por um estrangeiro durante o primeiro contato com a comunidade, nos anos 1970. O material levanta discussões sobre memória, espiritualidade e os limites culturais relacionados ao registro e à lembrança dos mortos.

Para a direção da EBC, a escolha do projeto reforça a importância da comunicação pública na ampliação da visibilidade de vozes historicamente marginalizadas. A produção busca promover reflexão e ampliar o entendimento sobre a diversidade dos povos indígenas no Brasil.

Além da série, o tema já foi explorado em uma exposição realizada pelo Instituto Moreira Salles, com centenas de imagens que retratam o cotidiano, a cultura e a resistência do povo Paiter Suruí desde a década de 1970.

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