Filmes dirigidos e protagonizados por mulheres se destacam entre os indicados ao Prêmio Platino Xcaret, principal reconhecimento do cinema ibero-americano. A edição deste ano reúne produções de 14 países, com um total de 30 filmes e 19 séries na disputa.
Na categoria de melhor filme, concorrem as produções Ainda é noite em Caracas, de Marité Ugás e Mariana Rondon; Belén, dirigido por Dolores Fonzi; Os Domingos, de Alauda Ruiz de Azúa; O Agente Secreto, de Kleber Mendonça Filho; e Sirât, de Oliver Laxe.
O vencedor será anunciado em 9 de maio, durante cerimônia em Cancún, no México. Parte das obras indicadas já está disponível em plataformas digitais.
Avanço feminino no cinema
Especialistas avaliam que a presença feminina entre os indicados representa um avanço importante, embora ainda existam desigualdades em áreas técnicas da indústria audiovisual.
A produtora Ilda Santiago destaca que a presença de diretoras experientes na principal categoria do prêmio é um sinal positivo, mas ressalta que mulheres ainda são minoria em setores como montagem, fotografia e trilha sonora.
A ampliação da participação feminina também impacta a diversidade das narrativas, trazendo novas perspectivas e abordagens sobre temas contemporâneos. Segundo a professora Marina Tedesco, esse movimento está ligado ao fortalecimento de pautas sociais, como feminismo, diversidade e questões raciais.
Para o crítico Juliano Gomes, o crescimento do cinema feito por mulheres depende de investimentos consistentes no setor. Ele afirma que o incentivo a produtoras independentes contribui para uma indústria mais inclusiva e representativa.
Histórias em destaque
Entre os indicados, Belén chama atenção ao abordar um caso real de uma jovem presa após um aborto espontâneo, trazendo à tona discussões sobre direitos das mulheres e desigualdades no sistema de Justiça.
Já Os Domingos explora o conflito familiar diante da vocação religiosa de uma adolescente no País Basco, enquanto Ainda é noite em Caracas apresenta um suspense ambientado em meio a tensões sociais na Venezuela.
Completam a lista O Agente Secreto, produção brasileira já premiada internacionalmente, e Sirât, vencedor do Festival de Cannes em 2025.
A presença expressiva de mulheres entre os indicados reforça uma transformação em curso no cinema ibero-americano, ainda em consolidação, mas cada vez mais visível nas telas e premiações.
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