A literatura produzida nas periferias será destaque nesta sexta-feira (19) e sábado (20) na Biblioteca Parque de Manguinhos, na zona norte do Rio de Janeiro. A Feira Literária Conta Conto – Voz das Periferias promove uma programação gratuita que reúne literatura, gastronomia, música, teatro e outras manifestações artísticas abertas ao público.
De acordo com um dos idealizadores do projeto, Elton de Souza Pinheiro, a iniciativa busca fortalecer os laços entre artistas e comunidades periféricas. Autor de obras de terror ambientadas nos subúrbios cariocas, ele afirma que, durante sua infância, havia poucas oportunidades culturais voltadas para esses territórios.
Segundo Elton, o festival reúne artistas que construíram suas trajetórias a partir da vivência nas periferias e que agora retornam para compartilhar experiências e incentivar novas gerações. A proposta também é mostrar a jovens e crianças que existem oportunidades de desenvolvimento por meio da cultura e do conhecimento produzido dentro das comunidades.
A programação contará com a participação de 15 autores em mesas de debate, encontros com leitores e sessões de autógrafos. Durante o evento, cerca de 300 livros serão distribuídos gratuitamente ao público.
Entre os convidados está o escritor Júlio Emílio Braz, que apresentará a obra Pretinha, Eu. O livro acompanha a trajetória de Vânia, primeira estudante negra de uma escola de elite do Rio de Janeiro, e aborda desafios relacionados à discriminação e à inclusão.
Além das atividades literárias, o festival também promoverá debates sobre território, protagonismo social e economia criativa. Uma das participantes será Cintia Sant’Anna, fundadora do Instituto Entre o Céu e a Favela e liderança comunitária do Morro da Providência, que integrará a mesa de discussão intitulada “Produção de Favela – Quem Ganha com Nossa Arte?”.
Trajetória do projeto
O Conta Conto foi criado em 2021 como um encontro de contadores de histórias idealizado por Elton de Souza Pinheiro, de Nova Iguaçu, e Leandro Pedro, morador do Morro do Turano, na zona norte da capital fluminense.
Após a realização de mais de 20 edições em diferentes municípios do estado, os organizadores decidiram ampliar o alcance da iniciativa. Segundo Elton, a grande participação de crianças, pais e moradores nos eventos anteriores demonstrou o interesse das comunidades por atividades culturais e reforçou a importância de ampliar o incentivo a ações desse tipo.
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