As cantoras Karol Conká e Linn da Quebrada defenderam a arte como uma ferramenta de resistência pessoal e coletiva para mulheres negras durante a 19ª edição do Festival Latinidades, realizada em Brasília. O evento, que neste ano tem como tema “Saúde mental importa”, reuniu artistas e especialistas para discutir cultura, direitos e bem-estar.
Durante o debate, Linn da Quebrada afirmou que sua trajetória artística nasceu da necessidade de enfrentar a própria dor e, posteriormente, passou a inspirar outras pessoas. Segundo a cantora, a cultura abriu caminhos para transformar sua forma de existir e de se relacionar com o mundo.
Em entrevista à Agência Brasil, Linn destacou que a arte tem a responsabilidade de denunciar violações de direitos, mas também de incentivar reflexões e fortalecer ações coletivas em busca de uma sociedade mais igualitária. Para ela, a cultura deve ir além da defesa de direitos das populações negras e trans, abrangendo diferentes perspectivas sobre a vida.
Desafios e coragem
Karol Conká demonstrou preocupação com os ataques direcionados principalmente aos jovens nas redes sociais. A cantora lembrou que também passou a ser alvo de manifestações de ódio após sua participação no programa Big Brother Brasil.
Na avaliação da artista, enfrentar esse cenário exige a construção de redes de apoio, fortalecimento da autoestima, acesso ao conhecimento e coragem para continuar produzindo arte. Ela afirmou que artistas têm o direito de divulgar seus trabalhos e viver com dignidade.
Karol também ressaltou que o Festival Latinidades representa um espaço importante para discutir temas frequentemente negligenciados, especialmente aqueles relacionados às experiências de artistas negras. Segundo ela, o sofrimento vivido por essas mulheres muitas vezes permanece invisível em meio às exigências da indústria cultural.
A cantora ainda alertou para a descredibilização enfrentada por mulheres negras em suas carreiras e afirmou que muitas profissionais relatam não serem ouvidas. Na sua avaliação, frequentemente elas são tratadas apenas como produtos comercializáveis.
Além das questões ligadas à cultura, Karol Conká manifestou preocupação com a violência contra as mulheres. Ela afirmou não se sentir segura e disse esperar que as mulheres possam viver com mais tranquilidade e liberdade para circular pelas ruas.
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