O ano de 2025 foi marcado por eventos climáticos extremos que afetaram diretamente 336.656 pessoas no Brasil e geraram prejuízos econômicos estimados em R$ 3,9 bilhões. As informações constam no relatório Estado do Clima, Extremos de Clima e Desastres no Brasil, elaborado pelo Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden).
No cenário global, 2025 foi o terceiro ano mais quente já registrado, com temperatura média de 1,47 °C acima dos níveis pré-industriais. O aquecimento contribuiu para a intensificação de ondas de calor, secas prolongadas, incêndios florestais e chuvas intensas, ampliando os impactos sociais e econômicos.
Eventos hidrológicos e extremos
O relatório aponta que o verão de 2024/2025 foi o sexto mais quente no Brasil desde 1961. Em novembro, oito unidades da federação — Ceará, Distrito Federal, Goiás, Minas Gerais, Piauí, Rio de Janeiro, São Paulo e Tocantins — registraram seca em 100% de seus territórios.
Ao longo do ano, o país enfrentou sete ondas de calor e sete ondas de frio, além de uma ampla variedade de desastres hidrometeorológicos associados ao aquecimento global.
Foram contabilizados 1.493 eventos hidrológicos, incluindo secas severas, alagamentos, cheias, enxurradas, transbordamentos de rios e deslizamentos de terra. Do total, 1.336 foram de pequeno porte, 146 de médio porte e 11 de grande magnitude. A região Sudeste concentrou 43% das ocorrências.
Os dados também indicam que 2.095 dos 5.570 municípios brasileiros estão expostos a riscos geo-hidrológicos, o que exige prioridade em ações de prevenção e gestão de desastres. Minas Gerais aparece como o estado com maior número de cidades vulneráveis durante o período chuvoso: 306 municípios apresentam risco de deslizamentos, enxurradas e inundações, ameaçando cerca de 1,5 milhão de pessoas.
Tendência de agravamento
Segundo o Cemaden, o número de desastres climáticos no Brasil cresceu 222% entre o início da década de 1990 e os primeiros anos da década de 2020. A tendência é de aumento na frequência e intensidade das ondas de calor nos próximos anos, enquanto as ondas de frio devem se tornar menos frequentes, embora eventualmente mais intensas.
Para o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, o cenário reforça a necessidade de investimentos em ciência, tecnologia, monitoramento contínuo e integração entre pesquisa e gestão pública. O objetivo é antecipar riscos, reduzir vulnerabilidades e fortalecer a capacidade do país diante de um contexto climático cada vez mais complexo.
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