A Organização Meteorológica Mundial (OMM), agência meteorológica da Organização das Nações Unidas (ONU), informou nesta sexta-feira (3) que elevou sua previsão para o desenvolvimento de um El Niño forte nos próximos meses. Segundo o órgão, o fenômeno deve contribuir para o aumento das temperaturas globais e ampliar o risco de eventos climáticos extremos em diferentes regiões do planeta.
O El Niño é caracterizado pelo aquecimento periódico das águas superficiais do Oceano Pacífico nas regiões central e leste. O fenômeno costuma durar entre nove e 12 meses e influencia os padrões climáticos em escala global, favorecendo temperaturas mais elevadas e alterações nas condições meteorológicas.
De acordo com o cientista da OMM, Álvaro Silva, as condições do El Niño já estão presentes no Pacífico Equatorial e há amplo consenso entre os modelos meteorológicos de que o episódio deverá atingir forte intensidade.
Segundo o especialista, quanto maior a intensidade do fenômeno, maior também a probabilidade de ocorrência de eventos meteorológicos e climáticos extremos em diferentes partes do mundo.
No início de junho, a OMM projetava um El Niño de intensidade moderada ou possivelmente forte. Com a atualização das análises, a entidade afirma que há maior confiança de que um episódio forte está em desenvolvimento no Pacífico Equatorial e não descarta revisar a previsão caso novos dados indiquem um fenômeno ainda mais intenso.
As previsões sazonais apontam para um padrão típico de um El Niño forte, com condições mais secas do que a média em áreas da América Central, Caribe, América do Norte e América do Sul. Também são esperados períodos de menor precipitação no sul da Ásia durante a estação das monções, além de partes da Indonésia e do Sudeste Asiático.
A OMM ressalta ainda que o fenômeno deverá impulsionar as temperaturas globais. Historicamente, anos de El Niño costumam registrar recordes de calor em escala mundial.
O órgão também destacou que a Europa enfrentou, entre os dias 20 e 28 de junho, a pior onda de calor já registrada, provocando impactos na geração de energia, danos à infraestrutura e pressão sobre os sistemas de saúde. Segundo especialistas, esse episódio foi atribuído às mudanças climáticas.
De acordo com a OMM, os impactos do El Niño serão percebidos em diferentes regiões até o fim deste ano e deverão se estender até 2027.
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