A regulação da saúde mental em Mato Grosso entrou na pauta da Assembleia Legislativa (ALMT) nesta semana. A Câmara Setorial Temática (CST) de Atenção Psicossocial reuniu gestores e especialistas para discutir soluções para o fluxo de urgência e a crônica falta de leitos, que faz com que pacientes esperem até 40 dias por uma internação.
O debate, conduzido pelo deputado Carlos Avallone, trouxe à tona a realidade do Hospital Adauto Botelho e das unidades vinculadas ao sistema estadual, evidenciando a pressão sobre a rede pública.
Capacidade e Reforma no Adauto Botelho
Referência no estado, o Hospital Adauto Botelho opera atualmente com alta taxa de ocupação. Durante o encontro, foram apresentados os números das unidades e a previsão de ampliação da estrutura:
| Unidade | Capacidade / Situação |
|---|---|
| Unidade 1 (Geral) | 86 leitos previstos após reforma em Julho/2026 |
| Unidade 3 (Dependência Química) | 32 vagas (exclusivas para o público masculino) |
| Sistema Prisional | 12 vagas (com determinação judicial para ampliação) |
O Gargalo da Regulação
O dado mais alarmante apresentado pela CST diz respeito ao tempo de espera. Embora 85% dos pacientes consigam a regulação entre 1 e 15 dias, uma parcela considerável da população aguarda de 16 a 40 dias para conseguir uma vaga em casos de crise aguda.
Para Valéria da Costa Marques Vuolo, técnica da Secretaria de Estado de Saúde (SES), o foco não deve ser apenas o hospital. Mato Grosso possui hoje 53 Centros de Atenção Psicossocial (CAPS), e a estratégia para desafogar as internações passa pelo fortalecimento do cuidado territorial e das equipes multiprofissionais (eMulti).
Novo Protocolo até Junho
Como resultado prático da reunião, foi definida a criação de um grupo de trabalho com seis integrantes. Este grupo terá a missão de elaborar um protocolo integrado de urgência e emergência em saúde mental até o dia 15 de junho.
A ideia é que este documento organize o fluxo entre Estado e municípios, garantindo que o paciente em crise tenha um caminho estruturado desde o primeiro atendimento na rede básica até a necessidade de internação especializada.
A saúde mental no sistema público de Mato Grosso enfrenta um momento decisivo: de um lado, a necessidade de mais leitos hospitalares; do outro, a urgência em fortalecer os CAPS e o atendimento nos bairros. Na sua opinião, o Governo do Estado deveria focar o investimento na construção de novos hospitais psiquiátricos ou em espalhar mais centros de atendimento comunitário pelo interior? Deixe seu comentário.
Receba em primeira mão nossas notícias, tendências e exclusivas.