Contratos emergenciais do BRT de R$ 403 milhões viram alvo de representação no TCE por suspeita de irregularidades

Pedido ao TCE questiona contratações sem licitação para obras do BRT e solicita fiscalização dos contratos.

A lisura e os critérios de economicidade na aplicação de recursos públicos em um dos maiores projetos de mobilidade urbana da região metropolitana passaram a ser formalmente questionados perante a Corte de Contas. Os contratos emergenciais do BRT, que somam mais de R$ 400 milhões, devem passar por uma análise minuciosa dos órgãos de controle estadual. O pedido de fiscalização foi apresentado ao Tribunal de Contas do Estado (TCE) com uma série de questionamentos técnicos sobre a legalidade das contratações realizadas por meio de dispensa de licitação.

O objetivo central da representação jurídica é garantir que o cronograma físico das obras do novo sistema de transporte coletivo continue avançando e, simultaneamente, verificar a existência de possíveis irregularidades ou sobrepreços nos processos administrativos de contratação direta em Mato Grosso.

Leia também

Representação no TCE contesta três contratos da Sinfra que somam R$ 403,5 milhões

O documento oficial protocolado junto ao órgão de controle solicita a realização de uma auditoria ou inspeção extraordinária em três contratos firmados pela Secretaria de Estado de Infraestrutura e Logística (Sinfra). Os acordos visam a execução de etapas remanescentes do BRT nos municípios de Cuiabá e Várzea Grande, totalizando exatamente R$ 403,5 milhões. As tratativas foram celebradas por meio de dispensas de licitação para a construção de estações de embarque, terminais de passageiros e do Centro de Controle Operacional (CCO) do sistema.

A representação encaminhada ao TCE joga luz sobre o fato de que uma mesma empresa privada participou ativamente das contratações bilionárias em diferentes formatos societários, atuando tanto de forma individual quanto integrada em consórcio. Outro ponto que acendeu o alerta dos fiscalizadores foi a diferença drástica de valores identificada em duas dispensas de licitação lançadas para o mesmo objeto em um intervalo de tempo inferior a três meses, sem justificativas preliminares robustas para o aumento expressivo.

Os eixos principais do pedido de auditoria do BRT reúnem:

  • Montante sob Análise: Três contratos emergenciais por dispensa de licitação somando R$ 403,5 milhões;
  • Alvo da Fiscalização: Atos administrativos da Secretaria de Estado de Infraestrutura e Logística (Sinfra);
  • Escopo das Obras: Construção de estações, terminais integrados e o Centro de Controle Operacional;
  • Divergência Técnica: Diferença expressiva de valores em contratos idênticos num intervalo menor que 90 dias;
  • Garantia de Continuidade: Pedido reforça que as frentes de trabalho nas avenidas não devem ser paralisadas.

Obras entre Cuiabá e Várzea Grande devem continuar normalmente durante as investigações

Apesar dos severos questionamentos jurídicos, o pedido protocolado não busca interromper ou congelar a execução física do BRT. A solicitação reforça de maneira clara que as intervenções urbanas nas avenidas metropolitanas devem prosseguir normalmente para mitigar os transtornos enfrentados diariamente por usuários do transporte público, motoristas e pedestres. Contudo, defende-se que eventuais condutas irregulares sejam rigorosamente apuradas e punidas pelos órgãos competentes.

O documento pede ainda que o TCE determine à Sinfra a proibição de novas contratações emergenciais sob a mesma justificativa da rescisão do contrato original do BRT, que ocorreu em março de 2025 após ter sido firmado em 2022. A representação argumenta que novas dispensas só devem ser aceitas mediante fatos novos e imprevisíveis. O processo já foi distribuído para análise de um conselheiro relator, que poderá exigir da Sinfra a apresentação imediata de toda a documentação correlata e o cronograma definitivo para as futuras licitações do projeto ao longo deste ano de 2026.

Ficha Técnica dos Contratos Alvo do TCE Dados Oficiais do Processo (2026)
Valor Total sob Suspeita R$ 403.500.000,00 (Quatrocentos e três milhões e meio)
Modalidade Jurídica Utilizada Dispensa de Licitação (Contratos Emergenciais)
Secretaria Contratante Secretaria de Estado de Infraestrutura e Logística (Sinfra-MT)
Estruturas Previstas nos Acordos Estações, terminais de integração e Centro de Controle
Órgão Controlador Acionado Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso (TCE-MT)

O pedido de auditoria nos contratos do modal de transporte joga luz sobre os desafios complexos de equilibrar a celeridade necessária para a conclusão de obras públicas atrasadas com a obediência cega aos princípios da transparência e da ampla concorrência na Baixada Cuiabana, evidenciando que o uso sucessivo de termos emergenciais e dispensas de licitação para justificar aportes de R$ 403,5 milhões gera um ambiente de insegurança jurídica que atrai legitimamente os holofotes do Tribunal de Contas, embora engenheiros e gestores estaduais lembrem frequentemente que o prolongamento dos canteiros de obras abertos nas avenidas de Cuiabá e Várzea Grande pune severamente a economia local e o cidadão que depende do transporte coletivo, demonstrando com total nitidez que a fiscalização rigorosa não pode se transformar em um freio burocrático, mas sim em uma garantia de que cada centavo de imposto seja convertido em asfalto e mobilidade ao longo deste ano de 2026. Você considera que o Tribunal de Contas do Estado deve adotar uma postura de intervenção imediata para auditar os preços e suspender novos pagamentos da Sinfra caso a empresa não justifique a disparidade de valores em curto prazo, ou acredita que o órgão deve permitir a conclusão total das obras das estações e terminais do BRT para somente depois realizar o julgamento das contas e a aplicação de eventuais multas aos gestores? Participe do debate e deixe seu comentário abaixo.

Google Notícias
Siga o CenárioMT

Receba em primeira mão nossas notícias, tendências e exclusivas.