Os preços do suíno vivo e da carne suína registraram, em maio, o terceiro mês consecutivo de queda, refletindo o enfraquecimento das demandas interna e externa. Levantamento do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq/USP, mostra que a cotação média do animal vivo comercializado na praça SP-5 — que engloba os municípios de Bragança Paulista, Campinas, Piracicaba, São Paulo e Sorocaba — atingiu o menor nível real desde julho de 2012, considerando os valores corrigidos pelo IGP-DI de abril de 2026.
A retração dos preços tem sido significativa ao longo do ano. Entre 30 de dezembro de 2025 e 29 de maio de 2026, o valor do suíno vivo acumulou queda de 40,7%, evidenciando o cenário de forte pressão sobre a rentabilidade da atividade.
Exportações seguem em nível recorde para o mês de maio
Apesar do enfraquecimento da demanda internacional em comparação com abril, as exportações brasileiras de carne suína mantiveram desempenho expressivo. Dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) apontam que o Brasil embarcou 127,9 mil toneladas de carne suína in natura e processada em maio.
O volume representa uma redução de 7,5% frente ao registrado em abril, mas supera em 8,8% o resultado obtido em maio de 2025. Trata-se do maior volume já exportado para um mês de maio desde o início da série histórica da Secex, em 1997.
Poder de compra do produtor diminui diante dos insumos
A relação de troca entre o suíno vivo e os principais insumos utilizados na atividade também se deteriorou em maio. Segundo o Cepea, o poder de compra do suinocultor paulista frente ao milho caiu pelo oitavo mês consecutivo, alcançando o menor nível desde fevereiro de 2023.
Embora os preços do milho e do farelo de soja também tenham recuado no período, a desvalorização do suíno vivo foi mais intensa, reduzindo a capacidade de aquisição de insumos pelos produtores.
Na região de Campinas (SP), o suinocultor conseguiu comprar, em média, 4,94 quilos de milho e 3,15 quilos de farelo de soja para cada quilo de suíno vivo comercializado. Os índices representam quedas de 4,9% e 6%, respectivamente, em comparação com abril.
Carne suína amplia vantagem competitiva sobre bovina e frango
Por outro lado, a queda mais acentuada dos preços da carne suína aumentou sua competitividade frente às proteínas concorrentes. De acordo com o Cepea, a vantagem da carne suína em relação à bovina atingiu o maior nível da série histórica iniciada em 2004.
No atacado da Grande São Paulo, a carcaça especial suína foi negociada, em média, a R$ 8,67 por quilo em maio, valor 3,7% inferior ao observado em abril. Em termos reais, corrigidos pelo IPCA de abril de 2026, trata-se do menor preço desde outubro de 2018, quando a média foi de R$ 8,54 por quilo.
O cenário reforça a competitividade da proteína suína no mercado doméstico, embora a redução dos preços continue pressionando as margens dos produtores, especialmente diante da piora na relação de troca com os insumos utilizados na atividade.
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