O lançamento do Plano Safra 2026/2027 trouxe uma sinalização positiva ao setor agropecuário com uma leve redução nas taxas de juros. No entanto, para os produtores de Lucas do Rio Verde, o cenário ainda exige cautela. A avaliação é do presidente do Sindicato Rural de Lucas do Rio Verde, o produtor rural Tiago Cinpak, que destaca que o principal desafio do campo continua sendo o alto nível de endividamento agrícola.
Segundo Cinpak, apesar do anúncio de aumento de recursos, grande parte está concentrada em linhas de crédito com recursos livres, que seguem com juros elevados. Para ele, isso limita o acesso dos produtores ao financiamento.
“Mesmo com uma pequena melhora nas taxas, isso não resolve o principal problema, que é o endividamento agrícola. Muitos produtores estão comprometidos com dívidas de curto prazo e precisariam de mais safras para reorganizar a vida financeira”, pontuou.
Na avaliação do presidente do sindicato, uma linha de alongamento de dívidas e maior flexibilização nas garantias seriam medidas mais eficazes para dar fôlego ao setor, especialmente em Mato Grosso.
Em Lucas do Rio Verde, Cinpak afirma que o cenário ainda é relativamente mais estável em comparação com outras regiões, graças às boas safras registradas nos últimos ciclos. Ainda assim, ele alerta para a redução das margens de lucro.
“De maneira geral, o produtor daqui ainda está conseguindo honrar seus compromissos. Mas a margem vem apertando. Quem investiu em máquinas, aquisição de terras ou trabalha com arrendamentos altos sente essa pressão com mais intensidade”, explicou.
Diante dos juros elevados — que em algumas linhas de crédito livre chegam entre 18% e 20% ao ano —, a orientação do Sindicato Rural é clara: prudência.

A recomendação é que o produtor reduza ao máximo a necessidade de financiamentos e adote uma lavoura mais enxuta. Entre as estratégias, está o melhor aproveitamento da fertilidade acumulada no solo ao longo de décadas de produção agrícola em Lucas do Rio Verde.
“É hora de usar a poupança do solo, principalmente em áreas consolidadas há mais de 40 anos. O crédito precisa ser utilizado com muita responsabilidade, especialmente para investimentos”, reforçou.
Além da preocupação financeira, o clima surge como outro fator de atenção para a próxima safra. A possibilidade de atuação de um Super El Niño já gera apreensão entre os produtores, principalmente devido às chuvas fora de época registradas recentemente.
Cinpak lembra que o clima é um fator fora do controle do agricultor e que decisões precipitadas podem elevar ainda mais os custos de produção.
“É um ano desafiador. O produtor precisa acompanhar com atenção as previsões climáticas e evitar precipitação no plantio. Se perder semente por erro de timing, o custo aumenta ainda mais”, alertou.
No campo, a colheita da segunda safra de milho segue avançando em Lucas do Rio Verde. De acordo com o Sindicato Rural, entre 65% e 70% da área já foi colhida, e a expectativa é de conclusão dos trabalhos em aproximadamente 15 a 20 dias.
Já a colheita do algodão começou nas primeiras lavouras no fim da semana passada. A intensificação dos trabalhos deve ocorrer a partir da segunda quinzena de julho, período considerado normal para o início da colheita da pluma na região.
Outro gargalo histórico do agronegócio regional continua sendo a armazenagem. Com a produção elevada e a capacidade estática insuficiente, muitos produtores devem recorrer novamente ao uso de silo bolsa.
“O armazenamento ainda é um grande desafio. O Brasil consegue armazenar cerca de metade da produção nacional. Se a exportação não fluir, inevitavelmente parte da produção fica sem espaço adequado”, destacou.
As chuvas recentes também aumentam o risco fitossanitário nas áreas recém-colhidas. O excesso de umidade favorece o surgimento de plantas voluntárias de milho, conhecidas como “tigueras”, que podem servir de hospedeiras para pragas como a cigarrinha-do-milho e lagartas.
Segundo Cinpak, o manejo antecipado será essencial para evitar prejuízos na próxima safra de soja.
“O produtor precisa ficar atento agora. Com a umidade, teremos excelente oportunidade para controlar milho voluntário e plantas daninhas. Esse manejo antecipado pode reduzir significativamente a pressão de pragas e facilitar o controle na próxima safra”, concluiu.
Em meio a desafios financeiros, climáticos e logísticos, a palavra de ordem no campo em Lucas do Rio Verde é uma só: cautela.
Cotações do Algodão
Cotações do Milho
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