As instituições que formam a linha de frente da fiscalização do dinheiro público em Mato Grosso decidiram derrubar as barreiras burocráticas e unificar suas armas tecnológicas.
Em reunião estratégica da Rede de Controle da Gestão Pública do Estado de Mato Grosso, realizada na última quinta-feira (25 de junho de 2026), os órgãos apresentaram e disponibilizaram entre si um verdadeiro arsenal de softwares, plataformas de auditoria e inteligências jurídicas.
A meta do encontro foi a interoperabilidade: fazer com que as inovações criadas dentro de uma instituição — como sistemas de rastreamento de emendas ou cadastros de empresas punidas — possam ser acessadas e replicadas de imediato pelas demais agências de controle, conferindo agilidade no combate a fraudes e no monitoramento de licitações.
Mapeamento das tecnologias à mesa
Cada representante levou para o fórum de debates o que há de mais avançado em seu portfólio de Tecnologia da Informação e Comunicação (TIC) e governança:
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Controladoria-Geral do Estado (CGE-MT): O auditor Jonathas Fujii liberou o acesso a ferramentas como o Sistema de Controle Interno (SCI), o canal de ouvidoria Fale Cidadão, o robô de monitoramento de riscos CGE Alerta e o Cadastro Estadual de Empresas Inidôneas e Suspensas (Ceis) — um banco de dados crucial para impedir que fornecedores proibidos de contratar com o Estado entrem em licitações municipais.
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Controladoria-Geral da União (CGU): O superintendente regional Ricardo Placido Ribeiro disponibilizou os painéis analíticos Primus e o sistema de rastreio de Emendas PIX (repasses parlamentares diretos a municípios), além da plataforma de auditoria eletrônica e-Aud e do Fala.BR.
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Advocacia-Geral da União (AGU): Representada pelo procurador-chefe Juscelino Passos dos Santos Junior, a AGU compartilhou a experiência do programa PGU Delas e o Sapiens, seu sofisticado Sistema de Inteligência Jurídica.
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Tribunal de Contas da União (TCU): O secretário René Neuenschwander colocou o ecossistema de softwares e filtros de auditoria do órgão federal à disposição das forças estaduais.
Adesão municipal e padronização nacional
Representando o Ministério Público de Mato Grosso (MPMT), o promotor de Justiça Gustavo Dantas Ferraz enfatizou que o intercâmbio de dados traz segurança institucional e evita o retrabalho dos fiscais da lei.
Ferraz aproveitou o encontro para anunciar um desdobramento prático de governança no interior do estado: o município de Barra do Bugres formalizou junto à Promotoria local a intenção de aderir ao Referencial Técnico para Implantação de Programas de Integridade nos Municípios. O documento funciona como um manual de sobrevivência ética para prefeituras, blindando a administração local com regras rígidas de transparência e compliance.
No encerramento, o coordenador da Rede de Controle em Mato Grosso, Paulo Farias, apresentou o andamento do MUCCI (Modelo Único de Capacidade de Controle Interno), que teve a estratégia de escuta institucional lançada recentemente em Porto Alegre (RS). A iniciativa busca unificar a linguagem de estados e municípios na avaliação de riscos, permitindo que uma prefeitura do interior de Mato Grosso utilize a mesma régua de eficiência técnica aplicada pelos órgãos centrais em Brasília.
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