Safra avança em Lucas do Rio Verde sob alerta climático e desafios de armazenagem
Colheita do milho já supera 65% da área cultivada, enquanto produtores mantêm atenção redobrada com clima, custos de produção e falta de capacidade de estocagem
Escrito por
João Ricardo|Fonte: CenárioMT|
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Colheita do milho safra 2026, na fazenda São Pedro. Imagem: Sandra Barzotto.
Lucas do Rio Verde segue em ritmo intenso no campo, mas o atual cenário agrícola exige cautela dos produtores diante de uma combinação de desafios financeiros, climáticos e logísticos. O alerta é do presidente do Sindicato Rural de Lucas do Rio Verde, Tiago Cinpak, que destaca a necessidade de planejamento estratégico para reduzir riscos e preservar a rentabilidade da próxima safra.
Além das preocupações com custos de produção e margem financeira apertada, o clima aparece como um dos principais fatores de atenção. A possibilidade de atuação de um Super El Niño já gera apreensão entre os produtores da região, principalmente após o registro de chuvas fora de época nas últimas semanas.
Segundo Cinpak, o clima é um fator que foge ao controle do agricultor e, por isso, decisões precipitadas podem trazer impactos significativos no bolso.
“É um ano desafiador. O produtor precisa acompanhar com atenção as previsões climáticas e evitar precipitação no plantio. Se perder semente por erro de timing, o custo aumenta ainda mais”, alertou.
Enquanto o setor monitora o cenário climático, os trabalhos de colheita seguem avançando nas lavouras da região. De acordo com o Sindicato Rural, entre 65% e 70% da segunda safra de milho já foi colhida em Lucas do Rio Verde, com expectativa de conclusão dos trabalhos dentro de 15 a 20 dias.
Já nas áreas de algodão, a colheita começou nas primeiras lavouras no fim da semana passada. A expectativa é de que os trabalhos ganhem força a partir da segunda quinzena de julho, dentro do calendário considerado normal para a cultura na região.
Outro gargalo histórico que continua preocupando o setor é a armazenagem de grãos. Mesmo com o crescimento constante da produção agrícola, a capacidade estática de estocagem ainda está longe de acompanhar o volume colhido, obrigando muitos produtores a recorrer novamente ao uso de silo bolsa como alternativa emergencial.
Cinpak ressalta que a limitação estrutural da armazenagem no país amplia a vulnerabilidade do setor, especialmente em períodos de menor fluxo nas exportações.
Plano Safra 2026/27 traz alívio parcial, mas endividamento ainda preocupa produtores de Lucas do Rio Verde. Foto: João Ricardo.
“O armazenamento ainda é um grande desafio. O Brasil consegue armazenar cerca de metade da produção nacional. Se a exportação não fluir, inevitavelmente parte da produção fica sem espaço adequado”, destacou.
As chuvas recentes também acendem um sinal de alerta no aspecto fitossanitário. A umidade favorece o surgimento de plantas voluntárias de milho, conhecidas como tigueras, que podem servir de hospedeiras para pragas como a cigarrinha-do-milho e diferentes espécies de lagartas.
Para o presidente do Sindicato Rural, o manejo antecipado dessas áreas será determinante para minimizar prejuízos na próxima safra de soja.
“O produtor precisa ficar atento agora. Com a umidade, teremos excelente oportunidade para controlar milho voluntário e plantas daninhas. Esse manejo antecipado pode reduzir significativamente a pressão de pragas e facilitar o controle na próxima safra”, concluiu.
Em meio a incertezas econômicas, riscos climáticos e limitações logísticas, a palavra que define o momento no campo em Lucas do Rio Verde é uma só: cautela. O produtor rural segue trabalhando com foco em produtividade, mas cada decisão tomada agora pode influenciar diretamente os resultados da próxima safra.