Madeira na construção: especialista esclarece mitos sobre durabilidade, manutenção e sustentabilidade

Especialista explica como tratamentos modernos aumentam a durabilidade da madeira e esclarece dúvidas sobre resistência, manutenção e impacto ambiental.

A madeira continua sendo um dos materiais mais utilizados na construção civil e na arquitetura, mas ainda enfrenta uma série de mitos que acabam influenciando a decisão de consumidores, engenheiros e arquitetos. Questões relacionadas à durabilidade, manutenção, sustentabilidade e até à segurança em casos de incêndio costumam gerar dúvidas, apesar da evolução das técnicas de tratamento e da tecnologia aplicada ao setor.

Segundo Jackson Vidal, mestre em Engenharia Florestal e químico da Montana Química, boa parte dessas percepções não corresponde à realidade atual. De acordo com o especialista, a escolha da espécie adequada, aliada ao tratamento correto e ao uso de produtos de proteção, faz com que a madeira apresente elevado desempenho em diferentes tipos de projetos.

A madeira é realmente uma opção sustentável?

Um dos questionamentos mais frequentes envolve o impacto ambiental do uso da madeira. Entretanto, Vidal explica que, quando a matéria-prima tem origem em áreas manejadas de forma responsável e certificada, ela representa um recurso renovável e pode contribuir para reduzir a pegada de carbono das construções.

Durante o crescimento das árvores, o dióxido de carbono (CO₂) é absorvido da atmosfera e permanece armazenado em sua estrutura. Quando essa madeira passa a integrar edificações, esse carbono continua estocado por muitos anos, diferentemente de outros materiais amplamente utilizados na construção civil.

Além disso, a produção de estruturas em madeira tende a consumir menos energia quando comparada a sistemas tradicionais baseados em concreto e aço.

Desempenho vai além da estética

Além do aspecto visual, a madeira apresenta características técnicas valorizadas em projetos residenciais e comerciais.

Sua estrutura fibrosa proporciona isolamento térmico e acústico natural, ajudando a reduzir a transferência de calor e ruídos entre ambientes. Na prática, isso pode contribuir para maior conforto e até para a redução do consumo de energia com climatização.

Essas propriedades fazem com que o material continue sendo utilizado em pisos, revestimentos, esquadrias, telhados, móveis e estruturas de grande porte.

Madeira apodrece rapidamente?

Segundo o especialista, essa afirmação não pode ser generalizada.

A resistência da madeira depende principalmente da espécie utilizada e do tratamento recebido antes da aplicação. Algumas madeiras naturalmente apresentam maior durabilidade devido à alta densidade e à presença de compostos que dificultam o ataque de fungos e insetos.

Espécies como Ipê, Cumaru e Jatobá estão entre as mais resistentes. Já madeiras provenientes de reflorestamento, como Pinus e Eucalipto, também podem alcançar longa vida útil quando passam pelo tratamento industrial em autoclave, processo que aumenta significativamente sua resistência à umidade e aos organismos que provocam deterioração.

Mesmo assim, o especialista destaca que o uso de produtos de acabamento e proteção continua sendo importante para ampliar a durabilidade do material.

Manutenção é realmente complicada?

Outro mito bastante difundido é o de que superfícies em madeira exigem manutenção constante.

Na prática, segundo Vidal, a frequência de manutenção depende principalmente do produto utilizado para proteção.

O stain, por exemplo, é indicado para áreas externas expostas ao sol e à chuva. Como penetra nos poros da madeira sem formar uma película rígida, acompanha os movimentos naturais do material e reduz o risco de descascamento.

Quando chega o momento da manutenção, normalmente basta realizar a limpeza da superfície e reaplicar o produto, dispensando lixamentos intensos.

Já o verniz costuma ser recomendado para ambientes internos e superfícies sujeitas a maior desgaste, como portas, janelas e móveis. Nesse caso, o acabamento cria uma camada protetora que ajuda a preservar a aparência da madeira e aumenta sua resistência ao atrito e ao contato com líquidos.

Como a madeira se comporta em incêndios?

Embora muitas pessoas associem a madeira a maior risco em situações de incêndio, especialistas explicam que o comportamento estrutural desse material pode surpreender.

Em estruturas robustas, como a Madeira Lamelada Colada (MLC), a camada superficial carbonizada atua como uma barreira natural contra o avanço do calor.

Essa carbonização reduz a velocidade com que o fogo atinge o núcleo da peça, permitindo que parte da estrutura mantenha sua capacidade resistente durante mais tempo.

Segundo o especialista, esse comportamento difere do aço, que perde rapidamente parte significativa de sua resistência mecânica quando submetido a temperaturas muito elevadas.

Tecnologia amplia as possibilidades de uso

A evolução dos processos industriais e dos sistemas de preservação fez com que a madeira passasse a ser empregada em projetos cada vez mais sofisticados, tanto na arquitetura quanto na engenharia.

Aliando desempenho estrutural, conforto térmico, sustentabilidade e diferentes possibilidades estéticas, o material continua conquistando espaço em obras residenciais, comerciais e institucionais.

Para especialistas do setor, conhecer as características de cada espécie e utilizar produtos adequados de proteção são fatores fundamentais para garantir durabilidade, segurança e desempenho ao longo dos anos.

 

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