SRAG cresce entre bebês de até 2 anos no Brasil

Casos graves de síndrome respiratória avançam em quatro regiões do país, com destaque para infecções em crianças pequenas.

Os casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) registraram aumento entre crianças de até 2 anos em quatro das cinco regiões do Brasil: Norte, Nordeste, Centro-Oeste e Sudeste. Os dados fazem parte do Boletim InfoGripe, divulgado pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), com base na Semana Epidemiológica 14, entre os dias 5 e 11 de abril.

Segundo o levantamento, o principal fator para a elevação das hospitalizações nessa faixa etária é o vírus sincicial respiratório (VSR), um dos principais causadores de bronquiolite e internações em crianças pequenas. Apesar do avanço desses casos, os registros graves associados à covid-19 seguem em queda no país.

A pesquisadora Tatiana Portella destaca a importância da prevenção, especialmente entre gestantes. A recomendação é que mulheres a partir da 28ª semana de gestação recebam a vacina contra o VSR, contribuindo para a proteção dos bebês nos primeiros meses de vida.

Outro ponto de atenção é o aumento das hospitalizações por influenza A em diferentes estados. A orientação é que pessoas pertencentes aos grupos prioritários procurem os serviços de saúde para se vacinar o quanto antes.

Cenário nacional

De forma geral, os casos de SRAG apresentam estabilidade no país tanto no curto quanto no longo prazo. Ainda assim, 14 estados permanecem em níveis de alerta, risco ou alto risco nas últimas semanas, com tendência de crescimento no período mais amplo.

O avanço relacionado ao VSR foi identificado em todo o Centro-Oeste e Sudeste, além de estados das regiões Norte e Nordeste. Já os casos ligados à influenza A continuam em crescimento em grande parte da região centro-sul e em pontos específicos do Norte e Nordeste.

Por outro lado, há sinais de interrupção ou queda nos casos associados ao rinovírus na maior parte do país, embora Mato Grosso e Pará ainda apresentem crescimento.

Entre as capitais, 14 registram níveis de alerta ou risco com tendência de aumento nas últimas seis semanas, incluindo cidades como Cuiabá, Rio de Janeiro, Recife e Belo Horizonte.

Incidência e mortalidade

Nas últimas semanas, a incidência da SRAG se mantém mais elevada entre crianças pequenas, principalmente devido ao VSR e ao rinovírus. Já a mortalidade segue maior entre idosos, com predominância de casos associados à influenza A e à covid-19.

No acumulado de 2026, foram notificados 37.244 casos de SRAG. Desse total, 42,5% tiveram confirmação laboratorial para algum vírus respiratório. Entre os positivos, o rinovírus lidera com 41,1%, seguido por influenza A (25,5%) e VSR (17,4%).

Nas quatro semanas mais recentes, os dados mostram distribuição semelhante, com destaque para rinovírus (33%), influenza A (32,2%) e VSR (26,3%). Entre os óbitos, a influenza A aparece como principal causa, seguida por rinovírus e covid-19.

Os dados reforçam a importância da vacinação e da atenção aos sintomas respiratórios, especialmente entre crianças pequenas e idosos, grupos mais vulneráveis às formas graves da doença.

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