A organização Time To Act lançou a campanha Saúde Mental Climática com o objetivo de ampliar o debate público sobre os efeitos da crise ambiental na saúde emocional, psicológica e no bem-estar coletivo das populações afetadas por eventos extremos.
A mobilização também defende a criação de uma política nacional específica para o tema, que pode ser implementada por meio de um projeto de lei em análise na Câmara dos Deputados.
A proposta foi apresentada por parlamentares e prevê a criação de um sistema nacional voltado ao atendimento de comunidades atingidas por desastres climáticos, integrando áreas como saúde, assistência social, educação e defesa civil.
O texto também sugere a estruturação de centros de resiliência, cura e reconstrução comunitária, além de ações de prevenção e divulgação científica relacionadas aos impactos psicossociais das mudanças climáticas.
Segundo a fundadora da Time To Act, Luciana Brafman, experiências recentes em desastres naturais em diferentes países reforçaram a necessidade de ampliar o suporte psicológico às populações atingidas, especialmente em situações de longa duração e reconstrução lenta.
Ela afirma que grupos vulneráveis, como povos indígenas, comunidades quilombolas, mulheres e moradores de periferias, tendem a ser mais impactados pelos efeitos sociais e emocionais desses eventos.
Especialistas que atuam em situações de emergência relatam que crianças expostas a desastres podem apresentar regressões comportamentais, medo persistente e dificuldades emocionais, além de agravamento de traumas já existentes.
Profissionais da área também destacam que escolas, embora sejam tradicionalmente espaços de proteção, podem ser afetadas diretamente por desastres, exigindo protocolos específicos de acolhimento psicológico.
O debate inclui ainda o impacto da desinformação sobre mudanças climáticas. Estudos apontam níveis significativos de ceticismo em parte da população, o que dificulta a adoção de políticas públicas mais amplas e baseadas em evidências científicas.
Pesquisas indicam que fatores ideológicos e sociais influenciam a percepção sobre o clima, enquanto maior acesso à informação científica tende a reduzir a negação dos efeitos da crise ambiental.
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