G20: Lula critica possível veto dos EUA à África do Sul

Presidente brasileiro defendeu a participação da África do Sul no G20 e questionou a legitimidade de um eventual veto por parte dos Estados Unidos.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta segunda-feira (20) que a África do Sul não pode ser impedida de participar do G20, grupo que reúne as maiores economias do mundo e a União Europeia. A declaração foi feita em meio à possibilidade de veto por parte dos Estados Unidos à presença do país africano no próximo encontro do bloco.

O presidente norte-americano, Donald Trump, sinalizou que não convidaria o líder sul-africano, Cyril Ramaphosa, para a reunião marcada para novembro, nos Estados Unidos, que atualmente presidem o fórum. A decisão ocorre após críticas e acusações feitas por Trump ao governo sul-africano relacionadas a uma lei de reforma agrária, consideradas infundadas por autoridades internacionais.

Lula relatou ter conversado diretamente com Ramaphosa e afirmou que os Estados Unidos não possuem autoridade para barrar a participação de um membro fundador do grupo. Segundo ele, a África do Sul deve comparecer ao encontro independentemente de convites formais.

Durante entrevista concedida em Hanôver, na Alemanha, após reunião com o chanceler Friedrich Merz, o presidente brasileiro reforçou que, se estivesse na posição do líder sul-africano, participaria do evento como integrante legítimo do bloco.

Lula também criticou as declarações de Trump sobre um suposto “genocídio branco” na África do Sul, classificando-as como inverídicas. Para o presidente, permitir a exclusão de um membro abriria precedentes perigosos dentro do grupo.

O presidente destacou ainda o caráter multilateral do G20, criado durante a crise econômica global de 2008 com o objetivo de promover soluções conjuntas entre as principais economias. Segundo ele, todos os países fundadores têm direito garantido de participação.

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