O Museu Nacional, localizado na Quinta da Boa Vista, em São Cristóvão, zona norte do Rio de Janeiro, passou a exibir desde domingo (14) uma réplica animatrônica do Oxalaia quilombensis, espécie considerada uma das mais importantes já descritas pela paleontologia brasileira. A estrutura tem cerca de cinco metros de altura e 15 metros de comprimento.
O animatrônico, tecnologia que reproduz a aparência e os movimentos de seres vivos por meio de controle remoto, foi doado pelo Parque Terra dos Dinos, localizado em Miguel Pereira, no centro-sul fluminense. A iniciativa reforça a parceria entre as duas instituições voltada à divulgação científica e à educação.
O Oxalaia quilombensis pertence ao grupo dos Spinosauridae e viveu há aproximadamente 95 milhões de anos na Ilha do Cajual, no Maranhão. Considerado um dos maiores predadores já registrados no território brasileiro, o animal possuía hábitos predominantemente piscívoros e era adaptado à captura de peixes em ambientes aquáticos e costeiros.
Segundo a vice-diretora do Museu Nacional, a paleontóloga Juliana Sayão, a réplica permanecerá em frente ao museu até agosto. Depois desse período, será transferida para a entrada do Centro de Visitantes, conhecido como Estação Museu Nacional, onde recepcionará grupos agendados para a exposição permanente.
Parceria científica
De acordo com Juliana Sayão, a doação representa um reconhecimento ao trabalho desenvolvido pelo Museu Nacional e pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) na curadoria científica do Parque Terra dos Dinos. A colaboração entre as instituições começou ainda na fase de planejamento do empreendimento para garantir precisão científica nas informações apresentadas ao público.
Desde a implantação do parque, o projeto recebe acompanhamento técnico do Museu Nacional, com participação do paleontólogo Alexander Kellner, ex-diretor da instituição.
A vice-diretora também destacou que a espécie foi descrita por pesquisadores ligados ao Museu Nacional, incluindo uma doutoranda do Programa de Pós-graduação em Zoologia da UFRJ. Segundo ela, o fato evidencia a contribuição da instituição para a produção científica, a formação de profissionais e o avanço do conhecimento na área.
Outro ponto relevante é que parte do fóssil original do Oxalaia quilombensis, que estava armazenado no Museu Nacional, foi recuperada após o incêndio que atingiu o Palácio de São Cristóvão em 2018. Os trabalhos de resgate contaram com financiamento do Ministério da Educação, da UFRJ e do governo da Alemanha.
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