A 15ª Conferência das Nações Unidas sobre Espécies Migratórias de Animais Silvestres, a COP15, foi encerrada no domingo (29), em Campo Grande (MS), com resultados considerados inéditos. Ao todo, 40 novas espécies passaram a ser protegidas, além da aprovação de 16 ações de cooperação internacional e 39 resoluções que deverão ser adotadas por 132 países e pela União Europeia.
De acordo com o presidente da conferência, João Paulo Capobianco, o evento foi bem-sucedido tanto no avanço coletivo quanto nas propostas lideradas pelo Brasil. O país contou com uma delegação de especialistas em diferentes áreas, que participaram ativamente das negociações ao longo da semana.
Seis das sete propostas brasileiras para inclusão de espécies nos anexos da Convenção sobre Espécies Migratórias foram aprovadas. Entre elas, aves como o maçarico-de-bico-torto e o maçarico-de-bico-virado passaram a integrar a lista de espécies ameaçadas. Já o peixe pintado, o tubarão cação-cola-fina e o caboclinho-do-pantanal foram incluídos entre espécies que exigem cooperação internacional para conservação.
A única proposta retirada envolvia o tubarão cação-anjo-espinhoso, cuja situação de risco ainda gera divergências entre especialistas. A decisão foi adiada para nova avaliação conjunta entre Brasil, Argentina e Uruguai.
Outras iniciativas internacionais também tiveram avanços, como a inclusão da ariranha nas listas de proteção, proposta liderada pela França. No total, das 42 propostas globais analisadas, apenas uma retirada de espécie não foi aprovada, mantendo a proteção ao cervo-de-Bokhara por mais alguns anos.
Entre os acordos de cooperação, destacam-se o plano de conservação dos grandes bagres migratórios da Amazônia e ações voltadas à proteção de espécies como o tubarão-mangona e o tubarão-peregrino.
As 39 resoluções aprovadas abordam temas como saúde animal, preservação de habitats e impactos de infraestrutura, especialmente no setor energético, que pode interferir nas rotas migratórias.
Um dos pontos ressaltados pelos organizadores é o caráter vinculante da convenção, o que obriga os países signatários a cumprirem as decisões adotadas.
A escolha de Campo Grande como sede foi considerada estratégica por sua proximidade com o Pantanal, importante rota migratória de diversas espécies. O evento também reforçou a importância do multilateralismo, destacando que a preservação da biodiversidade depende da atuação conjunta entre países.
Segundo representantes diplomáticos, a conferência consolidou avanços na cooperação internacional e na mobilização de recursos, especialmente para apoiar países em desenvolvimento no cumprimento das metas ambientais.
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