Três escolas em Lucas do Rio Verde aderem à greve na Educação

Congelamento dos salários dos professores, por parte do Governo, seria um dos principais motivos pela greve, afirma Sintep em Carta Aberta

Pelo menos três escolas da rede pública estadual, em Lucas do Rio Verde-MT, confirmaram adesão total à greve geral que terá início na próxima segunda-feira (27) em Mato Grosso.

Em entrevista ao CenárioMT, a presidente do Sindicato dos Trabalhadores no Ensino Público de Mato Grosso (Sintep-MT), subsede de Lucas do Rio Verde, professora Tânia Jorra, comentou que há a possibilidade de outras unidades de ensino aderirem a greve, que inicia na próxima semana por tempo indeterminado.

As escolas que aderiram à greve são: Dom Bosco (bairro Rio Verde); Luiz Carlos Ceconello (bairro Cerrado) e Ângelo Nadin (bairro Bandeirantes).

SINTEP -CenárioMT“A partir de segunda-feira essas escolas estão em greve por tempo indeterminado. As demais escolas, com exceção a Escola Militar, estão em mobilização interna onde ainda estão decidindo se aderem, ou não a greve”, afirmou Jorra, comentando ainda que as escolas da rede pública municipal em Lucas do Rio Verde, a princípio, não irão aderir à greve.

Os grevistas em Lucas do Rio Verde estarão em mobilização constante, de acordo com Tânia Jorra, onde na segunda-feira, estarão presentes na Câmara Municipal, durante sessão ordinária dos vereadores, e os representantes do Sintep farão uso do Expediente Nobre.

Tânia comentou ainda que, mesmo com a greve, os alunos terão o cumprimento dos 200 dias letivos, que serão repostos posteriormente.

Por meio de uma carta aberta, o Sintep/MT expos as razões pelas quais, a categoria inicia mais uma greve na Educação Pública de Mato Grosso.

CONFIRA NA ÍNTEGRA

“Em 2013, quando conquistamos a Lei nº 510/2013 – uma política de valorização salarial por 10 anos, lutávamos por deixar o patamar de pior salário entre os servidores do estado, com o mesmo nível de formação. Em 2016, voltamos para as ruas para impedimos que o Governo Taques privatizasse mais de 70 escolas em Mato Grosso. Nossas lutas são para manteremos a Escola Pública, Laica, Gratuita e de Qualidade Social. 

A política salarial dos educadores foi conquistada com muita luta, mas ainda não conseguimos mudar a realidade de sermos o pior salário entre as carreiras do executivo estadual. O fato agora é que o Governador Mauro Mendes, se nega a cumprir a Lei nº 510/13, para avançarmos, e congela os salários dos/as profissionais da educação. Esta é uma das razões pela qual deflagramos a greve.

A falta de recursos anunciada pelo Governador Mauro Mendes, com decreto de calamidade financeira, não convenceu nem mesmo o governo federal, que desconsiderou ajudar um estado que está entre os quatro melhores arrecadadores do pais. O fato é que o governo quer continuar na posição de vítima enquanto faz a farra da política de isenção e renúncia fiscal, que favorece apenas ao agronegócio, aos donos de indústrias e do comércio, enquanto retira recursos da saúde, segurança e educação.

São quase 4 bilhões de recursos que deixam de entrar nos cofres públicos, em renúncia fiscais, e que parte dele (27,5%) deveria ser investido para obras e equipamentos das escolas, transporte escolar, convocação de concursados, formação e direitos previstos na leis de carreira e na política salarial.

A verdade é que o governo Mauro Mendes quer que os/as educadores/as se sacrifiquem enquanto mantém os interesses dos ricos, e isso não podemos aceitar. O governador tem se manifestado nos meios de comunicação e de forma irresponsável, atribuindo os baixos resultados de aprendizagem apenas para os/as educadores/as, sem levar em conta as mazelas dos governos com a Educação.

Por isso queremos esclarecer aos pais, mães, responsáveis e toda a sociedade que nossa luta em Mato Grosso é para assegurar a política salarial já aprovada em lei, bem como assegurar melhores condições de trabalho, na estrutura física e de pessoal que a escola precisa para assegurar a aprendizagem dos/as estudantes.

Nossa luta segue para mudar o que está ocorrendo no ano letivo de 2019, quando, em maio, a maioria das escolas ainda não tem seu quadro de pessoal completo para atendimento dos/as estudantes. Faltam professores/as e funcionários/as, isso sem contar outros direitos que são negados para os/as estudantes.

Durante a audiência entre o sindicato e a equipe de governo, a Secretária de Educação relatou que mais de 400 escolas do estado estão em condições precárias, 43 dessas estão localizadas em Cuiabá. O Sintep-MT chama a atenção para a gravidade da estrutura física dessas escolas da rede estadual: telhado condenado, rede elétrica exposta, sala de aula sem condições de uso, cozinha e refeitório sem estrutura adequada, banheiros sem portas, sem pias e sem a menor condição de uso, sem laboratório, sem biblioteca, entre outras mazelas.

O nosso questionamento é: Por que o senhor governador continua abrindo mão de bilhões de recursos para a Educação, por meio da isenção e renúncia fiscal? Por que este governo, que se diz tão preocupado com a qualidade da educação de Mato Grosso, não apresenta uma proposta que atenda a pauta da categoria? Por que não apresenta um cronograma de construção e reforma das escolas?

Reafirmamos aos pais, mães, responsáveis, estudantes e à sociedade mato-grossense nosso compromisso em defender a Escola Pública, Gratuita e de Qualidade. Não vamos aceitar redução de direitos dos profissionais da educação e de investimentos nas escolas da rede estadual. A força dessa luta será o apoio da sociedade, pois só assim inverteremos as prioridades do governo de Mato Grosso.

Sabemos que a maioria dos/as estudantes da escola pública, filhos/as de trabalhadores/as, necessita dessa escola para mudar uma realidade de desemprego, falta de cidadania e de violência, advindas do histórico descaso dos governos com investimentos nas políticas públicas”, conclui a carta.

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