A eclosão de execuções sumárias ordenadas por lideranças faccionadas, a atuação de alas disciplinares do crime organizado e a violência armada em perímetros residenciais voltaram a mobilizar as forças de segurança pública na região Norte do estado. O tatuador e empresário Lia Perboni foi assassinado com uma rajada de pelo menos 10 disparos de arma de fogo na tarde de sábado (27 de junho), no interior de uma residência em Sorriso.
O atentado, que exibe características clássicas de execução sumária, também deixou uma segunda pessoa ferida por projéteis de arma de fogo no mesmo imóvel.
Criminosos invadem residência e realizam julgamento sumário contra tatuador
Os dados preliminares coligidos pelas equipes de plantão da Polícia Militar de Mato Grosso apontam que o imóvel foi invadido por um grupo de criminosos armados e encapuzados. De acordo com relatos fornecidos por testemunhas que presenciaram a investida, os executores encurralaram Lia Perboni e o submeteram a um interrogatório coercitivo — dinâmica tipificada no meio policial como “tribunal do crime”, promovido por facções que disputam o monopólio do tráfico na região do Médio Norte.
Após o veredito clandestino emitido pela organização, os atiradores abriram fogo contra a vítima a curta distância. Equipes de resgate do Corpo de Bombeiros Militar foram acionadas para prestar os primeiros socorros, porém constataram o óbito do empresário de forma imediata na cena do crime. A perícia técnica inicial revelou que os projéteis perfuraram estruturas vitais da vítima, concentrando-se nas seguintes regiões anatômicas:
- Abdômen: Múltiplas perfurações com severa hemorragia interna provocada pelos impactos;
- Região Lombar: Disparos que atingiram a zona dorsal, sugerindo tentativas de fuga ou disparos de contenção;
- Membros: Lesões perfurocontundentes espalhadas pelas pernas e braços, indicando reação de defesa por parte da vítima.
Prestador de serviços é baleado de raspão e socorrido em estado estável
Durante a fuzilaria, um segundo homem que se encontrava no interior da residência prestando serviços de manutenção para o tatuador acabou sendo atingido pelos disparos. Ele foi socorrido pelas ambulâncias dos bombeiros e transladado às pressas para o Hospital Regional de Sorriso. Conforme os boletins médicos emitidos pela unidade hospitalar, o paciente passou por procedimentos de limpeza cirúrgica e extração de estilhaços, encontrando-se na ala de observação sob quadro clínico estável e sem risco iminente de morte.
A Divisão de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) e os peritos criminais isolaram o perímetro para recolher estojos de munição e proceder com a leitura da cena do crime. Os dados estruturais do homicídio e as linhas de investigação prioritárias foram organizados na seguinte matriz técnica:
| Eixo Analítico / Ocorrência | Métrica de Campo e Dinâmica do Ataque | Trâmite de Investigação e Linha da PJC em MT |
|---|---|---|
| Volume de Disparos | Mínimo de 10 perfurações constatadas no corpo do tatuador. | Uso de armas de fogo com alta cadência de tiro em Sorriso. |
| Modus Operandi | Invasão de domicílio seguida de “tribunal do crime”. | Prática típica de facções para punição ou acerto de contas. |
| Segunda Vítima | Trabalhador ferido no local durante a execução. | Socorrido e internado sob estabilidade no Hospital Regional. |
| Hipótese Delitiva | Vingança ou acerto de contas do crime organizado. | Procedimento investigativo foca em rastrear mandantes e executores. |
Polícia Civil investiga acerto de contas do crime organizado em Sorriso
A Delegacia Municipal da Polícia Judiciária Civil de Sorriso assumiu a presidência do inquérito policial e trabalha com a hipótese de que a morte de Lia Perboni trate-se de um violento acerto de contas vinculado à guerra de facções criminosas. Os investigadores iniciaram a coleta de imagens de sistemas de monitoramento eletrônico do bairro e começaram a intimar familiares e parceiros comerciais do tatuador para mapear possíveis ameaças de morte recentes ou vínculos com atividades ilícitas.
Os laudos necroscópicos produzidos pelos legistas da Perícia Oficial e Identificação Técnica (Politec) serão anexados aos autos processuais nos próximos dias para precisar o calibre das armas utilizadas pelos criminosos. A Polícia Militar reforçou o patrulhamento preventivo em áreas mapeadas por manchas criminais na cidade e orienta que informações sigilosas sobre a identidade ou paradeiro dos assassinos foragidos sejam encaminhadas anonimamente pelos telefones 190 ou 0800 065 3939 em Mato Grosso.
Reportagem baseada nos relatórios de isolamento de local de crime do 12º Batalhão da PMMT, atas de atendimento pré-hospitalar do Corpo de Bombeiros e notas de abertura de inquérito da Polícia Judiciária Civil.
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