A desarticulação de redes de falsidade ideológica de longa permanência, a cooperação interagências na área de inteligência policial e a aplicação de tecnologias de biometria facial pautaram o cumprimento de um mandado de prisão de alta repercussão histórica na capital. Uma ação integrada de segurança pública resultou na captura de Aluísio Farias Batista, de 68 anos, condenado como o autor do atropelamento em massa que vitimou fatalmente 19 pessoas durante as festividades do Carnaval de 1984, em Natal (RN).
O criminoso foragido foi localizado em Cuiabá, onde residia de forma clandestina há mais de quatro décadas sob o amparo de uma certidão de nascimento e documentos de um cidadão falecido.
Polinter utiliza reconhecimento facial para caçar motorista foragido desde 1984
O desfecho do caso originou-se de um intercâmbio de dados sigilosos iniciado pela Polícia Civil do Rio Grande do Norte (PCRN), que acionou formalmente a Gerência Estadual de Polinter e Capturas de Mato Grosso para dar suporte à caçada humana. Diante do lapso temporal de 42 anos desde o sinistro viário, o Núcleo de Inteligência da Polinter-MT ativou ferramentas computacionais de reconhecimento facial e cruzamento de bancos de dados biométricos.
A varredura telemática contou com o suporte da inteligência da Perícia Oficial e Identificação Técnica (Politec) e das diretorias de Habilitação e de Veículos do Departamento Estadual de Trânsito (Detran-MT). As auditorias digitais revelaram que o foragido havia inserido dados fraudulentos em nome de uma pessoa morta para obter novos documentos civis e de condução em Mato Grosso, operando uma camuflagem jurídica que impediu sua detecção por agências como a Polícia Federal por décadas.
Condenado vivia discretamente no Jardim Presidente I e tinha nova família em Cuiabá
Após semanas de monitoramento de campo e análise de vínculos de consumo, os investigadores da Polinter localizaram o paradeiro exato do alvo. Aluísio Batista mantinha uma rotina residencial discreta e de baixa exposição social em uma moradia situada no bairro Jardim Presidente I, na capital mato-grossense, local onde havia inclusive constituído uma nova estrutura familiar que desconhecia o seu passado de crimes na região Nordeste.
A abordagem tática ocorreu sem incidentes. O condenado foi interceptado pelas equipes policiais e não esboçou reação, recebendo voz de prisão em cumprimento ao mandado de execução de pena expedido pela Justiça do Rio Grande do Norte.
A linha do tempo da tragédia potiguar, os vetores de maquiagem civil e a estrutura de captura ficaram organizados na seguinte matriz analítica:
| Eixo Cronológico / Indicador | Dinâmica do Fato Originário (Natal – RN) | Mecanismo de Fuga e Prisão em Cuiabá – MT |
|---|---|---|
| A Tragédia (1984) | Atropelamento de foliões do bloco “Puxa-Sacos”. | 19 mortes confirmadas e dezenas de feridos graves no RN. |
| Vítimas de Repercussão | Neto do senador Dinarte Mariz e 05 sargentos da PM. | Ocorrência gerou a decretação de luto oficial de 03 dias na época. |
| Falsidade Ideológica | Uso de certidões e dados de um indivíduo já falecido. | Emissão de CNH e documentos falsificados burlaram o Detran-MT. |
| Tecnologia de Captura | Acionamento da Polinter pela Polícia Civil do RN. | Cruzamento por algoritmos de reconhecimento facial e inteligência. |
Tragédia do bloco ‘Puxa-Sacos’ causou comoção nacional e três dias de luto oficial
A tragédia que marcou a história policial potiguar ocorreu quando Aluísio Batista, operando um ônibus de transporte coletivo urbano, avançou contra a multidão que integrava o bloco carnavalesco “Puxa-Sacos” na região do Baldo, em Natal. O impacto mecânico esmagou e matou 19 pessoas instantaneamente, além de deixar dezenas de foliões com sequelas físicas e amputações traumáticas. O episódio gerou comoção política nacional, uma vez que entre os mortos figuravam cinco sargentos da ativa da Polícia Militar e o neto do então senador da República Dinarte Mariz, motivando o Governo do RN a decretar três dias de luto oficial.
Em depoimento prestado logo após a captura, o homem tentou sustentar sua versão de defesa da época, alegando que havia sido escalado de última hora por um superior para dobrar o turno de trabalho. Aluísio argumentou que, ao realizar uma curva no declive do Baldo, precisou efetuar uma manobra evasiva para desviar de outro veículo e, ao retomar o controle do ônibus, deparou-se frontalmente com uma escola de samba que ocupava a via escura, alegando ausência de tempo de resposta para acionar o sistema de freios.
A delegada titular da Gerência Estadual de Polinter e Capturas de MT, Silvia Maria Pauluzzi de Siqueira, enfatizou que a consolidação do Núcleo de Inteligência interno elevou o patamar investigativo da Polícia Civil, permitindo auditar fraudes documentais sofisticadas com precisão científica. Aluísio Farias Batista foi recolhido às celas da Polinter para a formalização do cumprimento do mandado e o registro do crime de uso de documento falso. O preso passará por audiência de custódia e permanecerá em isolamento no sistema penitenciário de Mato Grosso até que a Secretaria de Segurança Pública autorize o seu recambiamento por via aérea para o sistema prisional do Rio Grande do Norte, onde iniciará o cumprimento de sua reprimenda penal em Mato Grosso.
Reportagem baseada nos relatórios de inteligência da Polinter-MT, certidões de mandados de prisão do Banco Nacional de Monitoramento de Prisões (BNMP/CNJ) e arquivos históricos da Polícia Civil do Rio Grande do Norte.
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