A segurança de reservatórios e depósitos industriais voltou ao centro dos debates ambientais no estado. O recém-divulgado Relatório de Segurança de Barragens 2026 (RSB 2026), elaborado pela Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA), revelou que 10 barragens em Mato Grosso apresentam Categoria de Risco (CRI) alto ou contam com evidências latentes de comprometimento em suas estruturas.
O diagnóstico aponta ainda um universo de 84 estruturas classificadas com Dano Potencial Associado (DPA) alto ou médio — indicador que mede a gravidade de perdas humanas, econômicas e ambientais em caso de sinistro. Desse grupo, apenas uma atende integralmente aos critérios padronizados de segurança.
Outro dado que acende o sinal de alerta institucional envolve a fiscalização interna: das 658 barragens cadastradas na Secretaria de Estado do Meio Ambiente (Sema), 48 delas (cerca de 7%) sequer foram verificadas quanto ao enquadramento na Política Nacional de Segurança de Barragens (PNSB).
🗺️ O Mapa do Risco: Mineração concentra casos críticos
A maior parte das estruturas com CRI alto está atrelada à atividade extrativista e tem como finalidade principal a contenção de rejeitos de mineração. A distribuição geográfica concentra-se na Baixada Cuiabana e na região do Pantanal:
Nossa Senhora do Livramento (7 barragens)
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Bacia de Rejeitos;
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Santa Maria;
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Barragem do Serginho;
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Jaburu;
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Neta (atualmente embargada e abandonada);
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BR02;
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Barragem Manah.
Poconé (2 barragens)
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Bacia de Rejeitos São Bento;
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Isa.
Colíder (1 barragem)
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Usina Hidrelétrica de Colíder: Única estrutura da lista de risco destinada à produção de energia elétrica.
A agência reguladora esclarece que a definição de CRI alto não significa necessariamente uma ruptura iminente. O cálculo leva em consideração a soma de fatores como o estado real de conservação, as características técnicas do projeto e o cumprimento rigoroso da burocracia preventiva, como a entrega do Plano de Segurança de Barragem. Falhas documentais crônicas podem elevar a nota de risco de uma estrutura mesmo que suas paredes estejam estáveis.
O caso mais complexo mapeado pelo relatório da ANA envolve a Barragem Neta, em Nossa Senhora do Livramento. Trata-se da única da lista oficialmente classificada na condição jurídica de “abandonada” e sob embargo. O status é aplicado quando o empreendedor privado silencia e negligencia as notificações da fiscalização por mais de seis meses.
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