Mistério e contradições: O que se sabe sobre a morte da adolescente na capital de Mato Grosso?

Irmão e cunhada da vítima seguem presos e trocam acusações em acareação; laudo aponta estrangulamento e queimaduras no corpo encontrado em córrego.

A Polícia Civil de Mato Grosso enfrenta um quebra-cabeça temporal para desvendar o feminicídio de uma jovem de 17 anos, cujo corpo foi localizado em um córrego nos fundos de uma residência em Cuiabá, no último dia 11 de março.

Com o irmão e a cunhada da vítima presos, a investigação agora foca em derrubar as versões conflitantes apresentadas pelo casal, que passou por uma acareação marcada por trocas de acusações mútuas.

O principal desafio da Delegacia Especializada é determinar o “lapso temporal” exato do crime. Como o corpo foi encontrado submerso, a perícia médica possui margens de erro maiores para definir o horário da morte. A polícia tenta descobrir:

  • Quanto tempo passou entre o desaparecimento e o óbito;

  • Se a morte e a ocultação do corpo foram atos simultâneos;

  • Se ambos participaram de todas as etapas ou se um agiu sozinho para esconder o cadáver.

Comportamento sob suspeita

Um dos pontos que mais chamou a atenção dos investigadores foi a conduta da cunhada da vítima. Segundo a delegada responsável, a mulher manteve uma presença constante na delegacia e até buscou veículos de imprensa logo após o crime. Para a polícia, essa “proatividade” não era um pedido de ajuda, mas uma estratégia para monitorar os passos da investigação e tentar controlar a narrativa dos fatos.

O que diz a perícia

O laudo de necropsia trouxe detalhes que reforçam a crueldade do ato:

  1. Causa da morte: Estrangulamento, realizado com uma peça de roupa da própria cunhada;

  2. Sinais de tortura: O exame identificou queimaduras em diversas partes do corpo da adolescente;

  3. Violência sexual: Embora a conjunção carnal não tenha sido confirmada de imediato, a hipótese de abuso ainda é considerada nas diligências complementares.

Até o momento, nenhum dos dois detidos apresentou detalhes que ajudem na elucidação completa do caso. Ambos negam a autoria direta, tentando eximir-se da culpa ao apontar o parceiro como o executor. As diligências continuam para preencher as lacunas de um crime que chocou a capital pelo envolvimento familiar.

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