O brilho do Carnaval costuma mascarar uma realidade amarga que persiste o ano inteiro: a insegurança de mulheres, crianças e adolescentes diante da importunação e do assédio sexual.
Dados recentes do Observatório de Segurança Pública de Mato Grosso (Sesp-MT) revelam que o estado mantém uma média preocupante de 810 ocorrências anuais dessas naturezas. Entre 2024 e 2025, nada menos que 1.618 vítimas formalizaram denúncias contra agressores.
As estatísticas mostram que a importunação sexual — atos libidinosos praticados sem consentimento — teve uma leve alta, saltando de 526 casos em 2024 para 535 em 2025, um aumento de 2%. Já o assédio sexual registrou 282 boletins de ocorrência em 2024 e 275 no ano passado.
Cicatrizes invisíveis e o perfil do crime
Os números escondem as sequelas psicológicas que acompanham as vítimas muito tempo após o registro policial. Casos reais demonstram que o crime muitas vezes parte de pessoas próximas ou conhecidas, que utilizam a insistência indevida e ignoram a rejeição clara.
Em muitos episódios, o assédio ocorre no ambiente de trabalho ou em locais de circulação diária, transformando a rotina da mulher em um cenário de medo e dificuldade em estabelecer novos vínculos sociais.
Rede de proteção: do planejamento à folia
Para combater essa cultura da invasão, a Câmara Temática de Defesa da Mulher (CT Mulher) reuniu-se em Cuiabá para traçar novas diretrizes de atendimento especializado para 2026. O foco é padronizar o acolhimento e ampliar os projetos de apoio às vítimas de violência doméstica e sexual em todo o estado.
Ao mesmo tempo, o Comitê Estadual de Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas (Cetrap) lançou a campanha “Pule, brinque e cuide”. O objetivo é proteger crianças e adolescentes que, durante a agitação das festas, podem se tornar alvos vulneráveis caso se afastem dos responsáveis. A ação de conscientização percorre a Baixada Cuiabana, abrangendo Cuiabá, Várzea Grande, Nossa Senhora do Livramento, Barão de Melgaço e Chapada dos Guimarães.
Canais de denúncia
A denúncia é a principal ferramenta para interromper ciclos de violência e garantir a punição dos responsáveis:
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Nacionais: 100 e 180.
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Estaduais/Urgência: 190 e 181.
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