Mato Grosso viveu, entre 2022 e 2024, uma das transformações sociais mais significativas de sua história recente. Dados da Fundação Getulio Vargas (FGV) mostram que o estado registrou um crescimento de 9,79 pontos percentuais na participação das classes A, B e C — faixas de renda que reúnem famílias com ganhos acima de quatro salários mínimos. Na prática, isso significa que quase 88% da população mato-grossense passou a integrar esses estratos, contra 79,91% dois anos antes.
O número traduz mais do que uma estatística econômica. Ele revela um movimento consistente de mobilidade social, impulsionado principalmente pelo aumento da renda do trabalho e pela integração de políticas públicas voltadas à inclusão produtiva. Pessoas que antes dependiam exclusivamente de programas de transferência de renda passaram a acessar o mercado de trabalho formal, o empreendedorismo e novas oportunidades educacionais.
Para o ministro do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome, Wellington Dias, o avanço confirma que as políticas sociais têm produzido efeitos estruturais. Segundo ele, o Bolsa Família e o Cadastro Único funcionam como portas de entrada para trajetórias mais sustentáveis de renda e autonomia. “A gente vê pessoas que estavam no Cadastro Único, no Bolsa Família, e que agora estão na classe média. Isso mostra que o programa não é só transferência de renda. Ele abre portas para a educação, para o trabalho e para o empreendedorismo”, afirmou.
O cenário observado em Mato Grosso acompanha uma tendência nacional. O estudo da FGV aponta que, no mesmo período, cerca de 17,4 milhões de brasileiros deixaram a condição de pobreza e passaram a integrar classes de maior renda, elevando em 8,44 pontos percentuais a participação desses grupos no país.
A pesquisa também destaca que esse avanço não ocorreu de forma isolada. Ele resulta da combinação entre crescimento do emprego, valorização da renda e articulação de políticas públicas, como o Bolsa Família, o Benefício de Prestação Continuada (BPC) e programas de acesso à educação e ao crédito. Juntas, essas iniciativas criaram um ambiente mais favorável para que famílias construíssem estabilidade econômica e perspectivas de futuro.
Em um estado com forte base produtiva e crescente diversificação econômica, os dados reforçam a leitura de que o desenvolvimento social não é apenas consequência do crescimento, mas parte ativa dele. O fortalecimento da classe média amplia o consumo, movimenta o comércio, estimula o empreendedorismo e retroalimenta a própria economia local.
Mais do que números, o que os dados revelam é um Mato Grosso em transformação — onde políticas públicas, trabalho e oportunidade começam a desenhar trajetórias que antes pareciam inalcançáveis para milhares de famílias.
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