Ovo de Páscoa mais caro: alta do cacau impacta preços e muda estratégia de confeiteiros em Lucas do Rio Verde

Com aumento expressivo no valor do chocolate nos últimos anos, produtores locais reduzem tamanho dos ovos e buscam alternativas para manter as vendas acessíveis na Páscoa

A proximidade da Páscoa tem acendido um alerta no bolso dos consumidores em Lucas do Rio Verde. Em 2026, os tradicionais ovos de chocolate chegam às prateleiras com preços mais altos, reflexo direto da valorização do cacau no mercado internacional e da alta nos custos de produção.

De acordo com levantamentos recentes do setor, o preço do cacau vem registrando aumentos consecutivos nos últimos anos, influenciado principalmente pela queda na produção global — especialmente em países africanos, responsáveis por cerca de 70% da oferta mundial. Esse cenário tem impactado toda a cadeia produtiva do chocolate.

O engenheiro agrônomo Renato Mendes explica que o chocolate é produzido a partir da amêndoa extraída do cacau, e que a alta da matéria-prima tem relação direta com fatores estruturais da produção.

“Nos últimos três anos, o preço do cacau subiu muito. Grande parte da produção vem da África, onde muitos produtores não conseguem investir nas lavouras, o que reduz a oferta. Isso acaba elevando o preço no mercado internacional, seguindo a lei da oferta e da demanda”, destacou.

Ainda segundo ele, apesar do aumento na procura por chocolate nesta época do ano, o valor final do produto não depende apenas da demanda sazonal, mas também do custo acumulado da matéria-prima.

“A demanda cresce na Páscoa, mas o que pesa mesmo é o histórico de alta do cacau. Inclusive, houve mudanças na indústria, que passou a usar substitutos devido ao custo elevado, o que levou até à criação de regras para garantir o percentual mínimo de cacau no chocolate”, explicou

Impacto direto para quem produz

Em Lucas do Rio Verde, confeiteiros já sentem os reflexos dessa alta. A confeiteira Sarah relata que o custo do chocolate praticamente dobrou em comparação ao ano passado.

“Sentimos bastante. O valor dobrou. A gente pagava em média R$ 45 o quilo, e esse ano chegou perto de R$ 150. É um impacto muito grande para quem trabalha com isso”, afirmou.

Diante do aumento, os produtores artesanais têm buscado alternativas para não perder clientes. Uma das principais estratégias tem sido a redução no tamanho dos ovos.

“A gente precisa se desdobrar. Estamos diminuindo o tamanho dos ovos para conseguir manter um preço mais acessível. Se repassasse todo o custo, ficaria inviável para o consumidor”, explicou Sarah.

Apesar das dificuldades, a confeiteira destaca que a produção caseira ainda pode ser uma alternativa econômica para quem deseja presentear ou até mesmo gerar renda extra.

“Produzir em casa ainda sai mais em conta. Quem quiser pode comprar uma barra de chocolate e usar a criatividade. Também é uma oportunidade para quem quer ganhar uma renda extra nessa época”, completou.

Consumidor deve pesquisar

Com a variação de preços entre produtos industrializados e artesanais, a orientação é que o consumidor pesquise antes de comprar. Além disso, alternativas como ovos caseiros ou personalizados têm ganhado espaço por oferecer melhor custo-benefício.

A tendência para este ano é de uma Páscoa mais criativa e adaptada à realidade econômica, tanto para quem vende quanto para quem compra.

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