O ritmo acelerado de expansão econômica e demográfica do médio-norte mato-grossense impôs um debate complexo sobre os rumos da mobilidade regional. A Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT) sediou uma audiência pública tensionada nesta terça-feira (26) para discutir o projeto de implantação do novo contorno rodoviário, o anel viário da BR-163, no perímetro de Lucas do Rio Verde.
A proposta prevê uma reestruturação profunda nos eixos de escoamento da produção agrícola e industrial. De um lado, técnicos e lideranças apontam a urgência de blindar a malha urbana do fluxo esmagador de veículos de carga. De outro, o setor varejista e postos de combustíveis instalados às margens da atual rodovia demonstram forte resistência, temendo o esvaziamento econômico e a perda de clientes com o desvio das rotas.
Investimento de R$ 600 milhões prepara Lucas do Rio Verde para o impacto da ferrovia
O deputado estadual Diego Guimarães (Republicanos), que participou ativamente do encontro de forma virtual, defendeu que o crescimento do município é irreversível e exige medidas ousadas de planejamento de longo prazo. Com aportes estimados em mais de R$ 600 milhões, o projeto do contorno viário é apontado pelo parlamentar como a engrenagem que falta para acomodar o próximo grande salto logístico da região: a chegada dos trilhos da ferrovia de carga.
“Discutir o anel viário não é apenas debater engenharia de estradas, é desenhar uma cidade mais humana e segura para as próximas décadas”, ponderou Diego Guimarães. O deputado argumentou que a permanência do tráfego pesado de bitrens dividindo avenidas com motociclistas, ciclistas e pedestres no centro expandido de Lucas do Rio Verde tornou-se uma bomba-relógio para a segurança viária, justificando o investimento bilionário nem que seja exclusivamente para a preservação de vidas.
Os principais pilares de transformação estrutural defendidos no projeto incluem:
- Alívio Urbano: Retirada completa do tráfego pesado de carretas de grãos e insumos das vias centrais da cidade;
- Segurança Coletiva: Redução drástica nos índices de acidentes graves e atropelamentos no perímetro urbano da BR-163;
- Vetor de Expansão: Abertura de novas fronteiras imobiliárias e distritos industriais ao longo do traçado do contorno;
- Sinergia Logística: Preparação da malha rodoviária para interconexão direta com os futuros terminais ferroviários.
Apesar dos argumentos favoráveis à segurança e à fluidez, o fantasma do prejuízo comercial rondou as discussões. Representantes de associações comerciais e empresários locais lembraram que boa parte da economia de serviços de Lucas do Rio Verde se consolidou orbitando o fluxo de viajantes e motoristas da BR-163. A categoria cobra do Estado e da concessionária da via a criação de acessos secundários facilitados e sinalização robusta para evitar que o fluxo turístico e corporativo ignore o comércio local.
Novas rodadas de negociações e vistorias técnicas em campo devem acontecer nas próximas semanas entre a bancada do norte na ALMT, a prefeitura municipal e as equipes de engenharia do governo estadual. A intenção é ajustar o traçado geométrico do anel viário para mitigar os impactos financeiros no comércio de passagem, sem desidratar a eficiência técnica da obra, cujos projetos executivos devem avançar até o fechamento do cronograma de infraestrutura do segundo semestre de 2026.
| Raio-X do Projeto do Anel Viário | Dados Técnicos e Desafios Urbanos (2026) |
|---|---|
| Orçamento Estimado da Obra | Superior a R$ 600 milhões |
| Rodovia Impactada | BR-163 (Perímetro de Lucas do Rio Verde-MT) |
| Principal Benefício Defendido | Redução de acidentes e retirada de carretas do centro |
| Principal Gargalo em Discussão | Preocupação do comércio com desvio do fluxo financeiro |
O debate sobre a construção do anel viário da BR-163 coloca em rota de colisão a necessidade urgente de segurança viária e o temor legítimo de prejuízos econômicos por parte do comércio marginal de Lucas do Rio Verde, evidenciando que desviar mais de dez mil carretas diárias do centro da cidade é crucial para evitar mortes e organizar o trânsito, embora essa mudança ameace diretamente o faturamento de hotéis, restaurantes e postos de combustíveis que dependem do fluxo da rodovia. Você considera que a Assembleia Legislativa e o Governo do Estado devem priorizar a execução imediata do projeto original do anel viário para salvar vidas e destravar a logística da ferrovia, ou acredita que a obra deve ser congelada até que se apresente um estudo de impacto econômico detalhado que garanta indenizações ou alternativas viáveis de sobrevivência para os empresários locais?
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