Um criminoso de alta periculosidade patrimonial, apontado como o principal autor de furtos em série em Cuiabá, foi recapturado na manhã desta quinta-feira (18) pela Polícia Judiciária Civil. A Delegacia Especializada de Roubos e Furtos (Derf) da capital deu cumprimento a dois novos mandados de prisão preventiva contra o suspeito, que havia progredido para o regime aberto há pouco mais de dois meses e voltou a atacar estabelecimentos comerciais, clínicas médicas e instituições de ensino.
Os relatórios táticos apontam que as novas ordens de custódia cautelar foram chanceladas pelo Poder Judiciário após os investigadores reunirem provas técnicas irrefutáveis de que o indiciado mantinha uma rotina de crimes ininterrupta, ignorando as medidas condicionais de sua soltura ocorrida em abril de 2026.
Oito dias de liberdade: suspeito arromba clínica no Bosque da Saúde
A folha de antecedentes do investigado revela uma habitualidade delitiva que impressionou os agentes. Ele foi colocado em liberdade no dia 7 de abril de 2026. Apenas oito dias após deixar o complexo penitenciário, na madrugada de 15 de abril, o homem executou um arrombamento contra uma clínica médica de alto padrão situada no bairro Bosque da Saúde.
Valendo-se de uma ferramenta de ferro, o suspeito estraçalhou a porta de vidro temperado do estabelecimento para invadir o bloco administrativo. Do local, foram subtraídos um computador MacBook Air, diversos notebooks corporativos e aparelhos celulares. Câmeras do circuito interno de monitoramento registraram toda a ação em alta definição. A equipe de inteligência da Derf analisou os padrões biomegânicos e as feições do criminoso nas imagens, cruzando os dados e confirmando que se tratava do mesmo indivíduo recém-liberado.
Modus operandi envolvia escaladas e invasões por telhados de madrugada
A engenharia investigativa da Derf traçou o perfil operacional do suspeito para qualificar o *modus operandi* dos furtos em série em Cuiabá. O investigado agia invariavelmente na calada da madrugada, demonstrando agilidade física ao realizar escaladas de muros altos, transposição de cercas elétricas e invasões destrutivas por meio do arrancamento de telhas e forros.
Os alvos eram escolhidos de forma estratégica: escritórios, clínicas particulares e comércios com alta densidade de equipamentos eletrônicos de fácil revenda no mercado clandestino. O padrão de atuação englobava:
- Rompimento de Obstáculos: Destruição de vidraças, portas de rolar e cadeados;
- Invasão Vertical: Entrada por telhados, calhas ou escalada de muros anexos;
- Subtração Tecnológica: Foco em notebooks, smartphones e dinheiro em espécie;
- Dispersão Geográfica: Ataques em diferentes zonas comerciais de Cuiabá para despistar o policiamento.
Além do prejuízo direto com o furto das mercadorias e ferramentas de trabalho, as vítimas amargavam rombos financeiros severos para reconstruir as estruturas prediais danificadas pelo criminoso.
Seis inquéritos e histórico de ataques a floricultura e colégios
O cerco ao investigado vinha sendo desenhado desde outubro de 2025. O balanço estatístico da delegacia especializada aponta que, entre 2025 e 2026, foram instaurados seis inquéritos policiais robustecidos por provas materiais e testemunhais contra ele. Para cada procedimento, a Derf formalizou um pedido de prisão preventiva fundamentado no risco real à ordem pública e na total insuficiência de medidas cautelares alternativas, como o uso de tornozeleira eletrônica.
O mapa de ataques do criminoso inclui uma instituição educacional tradicional, uma floricultura, uma distribuidora do setor elétrico, além de múltiplos consultórios. O indiciamento seguiu os rigores do Artigo 155, parágrafo 4º do Código Penal Brasileiro (Furto Qualificado), cujas penas somadas podem isolar o réu por vários anos no regime fechado.
A Polícia Civil mantém as frentes de investigação ativas para mapear os receptadores dos eletrônicos levados pelo suspeito e verificar se ele possui conexão com outros furtos em série em Cuiabá que adotaram o mesmo padrão de arrombamento em Mato Grosso.
Reportagem baseada em laudos periciais de local de crime da Politec, relatórios de análise de imagens da Derf Cuiabá e mandados de prisão preventiva expedidos pelas Varas Criminais da Capital.
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