Funai acompanha construção de balsa no Xingu e debate demarcação de terra indígena em Mato Grosso

Obra atende reivindicação histórica dos povos Kayapó e facilitará a travessia no Rio Xingu; lideranças também cobraram avanços na demarcação da Terra Indígena Kapôt Nhinore

A Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) e o Ministério dos Povos Indígenas (MPI) realizaram, na última semana, uma visita à Aldeia Piaraçu, localizada na Terra Indígena Capoto/Jarina, em Mato Grosso, para acompanhar o andamento da construção de uma balsa destinada à travessia do Rio Xingu, no trecho da rodovia MT-322. A agenda também incluiu reuniões com lideranças do povo Mebêngôkre-Kayapó para tratar de demandas relacionadas à infraestrutura, à sustentabilidade e à regularização fundiária.

A embarcação está sendo construída para atender os povos indígenas do Xingu e a população da região, facilitando a travessia sobre o Rio Xingu. A iniciativa atende a uma reivindicação histórica apresentada pelo líder indígena Cacique Raoni Metuktire ao Governo Federal durante a visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva à região, em abril de 2025.

A obra é resultado de uma articulação entre o Ministério dos Povos Indígenas e a Funai, em parceria com o Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional e a Marinha do Brasil.

Durante o encontro, a presidenta da Funai destacou que a presença das instituições federais nas comunidades fortalece o diálogo direto com os povos indígenas e permite acompanhar de perto as demandas apresentadas pelas lideranças.

Segundo ela, além de verificar o andamento da construção da balsa, a equipe ouviu representantes da comunidade sobre a execução das políticas públicas no território e discutiu questões relacionadas ao processo de demarcação da Terra Indígena Kapôt Nhinore.

“Viemos acompanhar a construção da balsa, que é uma solicitação do povo Kayapó e que hoje está se concretizando. Além disso, estivemos reunidos com a comunidade para compreender como estão sendo desenvolvidas as ações das instituições no território, bem como ouvir e dialogar sobre as demandas apresentadas, em especial sobre o processo demarcatório da Terra Indígena Kapôt Nhinore, para que possamos avançar na implementação dos direitos dos povos indígenas. É a Funai dialogando com os povos indígenas”, afirmou.

Também participaram da agenda o ministro dos Povos Indígenas, Eloy Terena, a diretora de Gestão Ambiental e Territorial da Funai, Jovana Andrade, e o coordenador regional do Norte de Mato Grosso, Txuakre Metuktire.

Demarcação da Terra Indígena Kapôt Nhinore

Funai acompanha construção de balsa no Xingu e debate demarcação de terra indígena em Mato Grosso
Foto: Mayra Wapichana/Funai

A demarcação da Terra Indígena Kapôt Nhinore foi um dos principais temas debatidos durante a reunião. O território, onde o Cacique Raoni Metuktire viveu parte da juventude, é reivindicado pelo povo Mebêngôkre-Kayapó desde a década de 1980.

Os estudos de identificação e delimitação da área tiveram início em 2004. Em julho de 2023, durante o evento histórico conhecido como “Chamado de Raoni”, a Funai aprovou o reconhecimento da terra indígena, representando um importante avanço no processo de regularização.

Atualmente, o procedimento encontra-se na fase posterior à análise das contestações e dos pareceres técnicos. O próximo passo será a emissão da Portaria Declaratória pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública, etapa necessária para a continuidade da demarcação.

“Seguimos trabalhando junto aos órgãos competentes para que essa etapa seja concluída, garantindo o direito territorial aos povos que ali habitam”, afirmou o ministro Eloy Terena.

Além da questão fundiária, as lideranças indígenas também apresentaram demandas voltadas ao fortalecimento de iniciativas de sustentabilidade nas aldeias, ao incentivo de projetos liderados por mulheres indígenas e à ampliação da estrutura de atendimento da Funai na região, reforçando a necessidade de continuidade das políticas públicas voltadas aos povos originários.

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