A inclusão do número 180 nas contas de energia elétrica em Mato Grosso amplia o acesso da população a um dos principais canais de denúncia de violência doméstica no país. A iniciativa da Energisa MT transforma a fatura mensal em ferramenta de utilidade pública, alcançando mais de 1,7 milhão de unidades consumidoras distribuídas em 142 municípios.
A medida integra uma ação nacional conduzida em parceria com o Governo Federal, no âmbito do Pacto Nacional de Prevenção aos Feminicídios. Conforme informado pela concessionária, a mensagem de conscientização já começou a ser implementada em outras distribuidoras do grupo, destacando a orientação: “Violência contra a mulher é crime. Não se cale. Denuncie. Ligue 180”.
De acordo com o gerente de Serviços Comerciais da Energisa MT, Roberto Carvalho, o alcance mensal da conta de energia potencializa a disseminação de informação. “Como a conta de energia chega todos os meses às residências, ela se torna um meio eficaz para ampliar o acesso à informação e orientar as mulheres sobre onde buscar ajuda”, afirmou.
Dados citados na iniciativa reforçam o contexto de enfrentamento à violência doméstica no país. Segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, em 2025 foram registradas 1.568 vítimas de feminicídio, um aumento de 4,7% em relação ao ano anterior. Já o Anuário Brasileiro de Segurança Pública aponta que, em 2024, mais de 257 mil mulheres sofreram lesão corporal dolosa no contexto doméstico, além de 51 mil registros de violência psicológica.
Informações do Ministério das Mulheres indicam que o canal 180 realizou mais de 1 milhão de atendimentos em 2025, com média de cerca de 3 mil por dia e 155.111 denúncias registradas. Em janeiro de 2026, foram contabilizados 90.758 atendimentos e 15.575 denúncias.
A presidente da Abradee, Patrícia Audi, destacou que a estratégia busca superar barreiras de acesso à denúncia. Segundo ela, levar o canal diretamente aos lares aumenta as chances de romper o ciclo de violência, especialmente em situações de isolamento.
O serviço 180 funciona de forma gratuita, confidencial e ininterrupta, permitindo o registro de denúncias, orientação sobre direitos e encaminhamento aos órgãos competentes. Com a inclusão nas contas de luz, as distribuidoras ampliam o alcance da informação e fortalecem a rede de proteção às vítimas.
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