Dengue e chikungunya já causaram mais de 50 mortes em 2025 Mato Grosso

Várzea Grande Intensifica Combate ao Aedes Aegypti com Fumacê em 46 Bairros

Os números da Secretaria de Estado de Saúde (SES-MT) revelam um cenário preocupante em Mato Grosso, com mais de 50 vidas perdidas para a dengue e a chikungunya somente neste ano. Diante do aumento significativo de casos e óbitos em todo o estado, Várzea Grande, um dos epicentros da proliferação das arboviroses, implementa uma ação emergencial para tentar conter o avanço do mosquito Aedes aegypti, vetor dessas doenças, além da zika.

A gestão municipal iniciou a aplicação do fumacê (nebulização espacial ultrabaixo volume – UBV) em 46 bairros da cidade, áreas identificadas com os maiores índices de infestação do mosquito. Essa medida, segundo a Prefeitura, é uma resposta ao cenário crítico, que seria resultado de falhas na gestão de resíduos, na fiscalização urbana e na ausência de campanhas educativas contínuas de prevenção.

A operação de fumacê abrangerá mais de 2.300 quarteirões, com uma cobertura estimada de 65.156 imóveis. A secretária municipal de Saúde de Várzea Grande, Deisi Bocalon, justificou a ação como uma intensificação das estratégias de prevenção e combate já em andamento desde janeiro, visando “zerar o contágio”.

A adoção do fumacê em Várzea Grande conta com a orientação do Ministério da Saúde e o apoio do Governo do Estado, que cedeu três veículos para a aplicação do inseticida. A medida busca reduzir a população de mosquitos adultos infectados, interrompendo a cadeia de transmissão das doenças e, consequentemente, diminuindo a pressão sobre as unidades de saúde.

A Secretaria Municipal de Saúde (SMS) enfatiza que o fumacê é uma ferramenta complementar e que o combate efetivo ao Aedes aegypti depende fundamentalmente da ação da população na eliminação de criadouros dentro de suas residências.

Embora o inseticida utilizado seja recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e aprovado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), especialistas alertam para a necessidade de um uso criterioso, devido ao potencial impacto ambiental e ao risco de desenvolvimento de resistência nos mosquitos. A ação do veneno tem uma duração limitada, de aproximadamente 30 minutos, dependendo das condições climáticas.

Os dados do Serviço de Inteligência Estratégica para a Gestão Estadual (Sieges) revelam a gravidade da situação em todo o Mato Grosso, com 22.816 casos prováveis de dengue e 23 mortes confirmadas ou em investigação em 2025. Em relação à chikungunya, são 67 óbitos, entre confirmados e em análise. Várzea Grande, apesar das medidas de controle, registra um alto índice de casos prováveis de dengue (2.534) e chikungunya (3.407), com taxas de incidência que já ultrapassam o limiar epidêmico estabelecido pela OMS.

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