Da sala de espera ao desabafo: posto de saúde em Várzea Grande vira rede de apoio contra a violência doméstica

Ação do Agosto Lilás na USF Água Limpa reúne chefe de operações da Delegacia da Mulher e depoimento corajoso de servidora da saúde para quebrar o silêncio de pacientes.

O que era para ser apenas mais uma manhã de exames e consultas de rotina na Unidade de Saúde da Família (USF) Laurentino Paulo de Cerqueira, no bairro Água Limpa, em Várzea Grande, transformou-se em um poderoso círculo de acolhimento e coragem.

Para encerrar as ações do Agosto Lilás na última sexta-feira (28), a equipe da unidade aproveitou o movimento na sala de espera para promover uma conversa franca sobre relacionamentos abusivos, controle psicológico e violência doméstica.

A atividade contou com a participação da investigadora da Polícia Civil e chefe de operações da Delegacia da Mulher, Sandra Elias Miranda de Campos, que detalhou como identificar os primeiros sinais de um relacionamento abusivo — comportamentos controladores que frequentemente antecedem as agressões físicas.

Depoimento de servidora quebra o gelo na recepção

Um dos momentos mais marcantes do encontro ocorreu quando a técnica de enfermagem Bruna, servidora da própria unidade, pediu a palavra. Diante das pacientes, ela compartilhou sua história pessoal de superação ao conseguir romper um ciclo de violência em um relacionamento passado.

O relato pessoal da profissional humanizou o ambiente e gerou uma onda de identificação: ao perceberem que não estavam sozinhas nem seriam julgadas, outras mulheres presentes na recepção começaram a relatar suas próprias vivências.

“Falar sobre violência é necessário, porque muitas vezes a mulher está vivendo uma situação de abuso e não consegue identificar. Essa troca de experiências fortalece, orienta e mostra que ninguém precisa enfrentar isso sozinha”, ressaltou a responsável técnica da unidade, Lucimar Barbosa.

Sinais invisíveis e a porta de entrada da saúde

Durante a conversa, a investigadora Sandra Elias reforçou que o controle exagerado e o isolamento social são os primeiros alertas de perigo em uma relação.

“A violência nem sempre começa com uma agressão física. Muitas vezes ela começa com o controle, com o isolamento, com a tentativa de decidir com quem a mulher conversa, como se veste ou onde vai. Quando orientamos sobre esses sinais, ajudamos essa mulher a reconhecer que aquilo não é normal”, pontuou a policial.

As Unidades Básicas de Saúde são, frequentemente, o primeiro local onde vítimas de violência buscam atendimento — seja por lesões físicas ou por sintomas de ansiedade e depressão. A iniciativa em Várzea Grande reforçou como o olhar atento dos profissionais de saúde é decisivo para identificar abusos, acolher as pacientes e conectá-las à rede de proteção policial e jurídica.

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