O Hospital Estadual Santa Casa realizou, nesta quarta-feira (28.1), uma cirurgia inédita no Estado para alongamento da mandíbula de uma menina de cinco meses diagnosticada com Sequência de Pierre Robin, malformação congênita rara que compromete a respiração e a alimentação.
O procedimento, conhecido como distração osteogênica mandibular, foi feito para ampliar o espaço das vias aéreas da paciente, permitindo melhora respiratória e mastigatória. A intervenção ocorreu na unidade administrada pela Secretaria de Estado de Saúde em Mato Grosso e marca a primeira vez que esse tipo de cirurgia é realizado na rede estadual.
A operação teve início às 8h e foi concluída por volta das 12h30. Durante o procedimento, os profissionais fixaram no rosto da criança um dispositivo específico, chamado distrator, responsável por promover o alongamento gradual do osso mandibular ao longo do tratamento.
De acordo com informações da Secretaria de Estado de Saúde, o aparelho será ativado diariamente, com avanço de 1.5 mm por dia. O objetivo é estimular o crescimento ósseo progressivo até que a paciente apresente melhora significativa da respiração e da mastigação, além da consolidação da estrutura óssea.
Somente após a estabilização clínica e funcional, o dispositivo será removido. Até lá, o acompanhamento médico será contínuo, com avaliações regulares para monitorar a evolução do quadro e evitar intercorrências.
O secretário estadual de Saúde, Gilberto Figueiredo, destacou que a realização da cirurgia representa um avanço importante para a rede pública estadual. Segundo ele, o investimento em procedimentos de alta complexidade reduz a necessidade de deslocamento de famílias para outros estados, o que contribui para a recuperação do paciente e diminui o impacto emocional e financeiro.
A paciente está internada na Santa Casa desde 11 de outubro de 2025 e, até a realização da cirurgia, utilizava sonda para alimentação. O tratamento agora segue com ativações programadas do dispositivo, buscando ganhos progressivos na deglutição, na mastigação e no desenvolvimento funcional da criança.
Conforme explicou a direção do hospital, trata-se de um caso clínico de grande relevância, tanto pela complexidade quanto pelos benefícios diretos ao paciente. A atuação integrada das equipes foi determinante para o sucesso da intervenção.
Atuação integrada e referência em atendimento especializado
O procedimento foi conduzido pelo cirurgião bucomaxilofacial Bruno Gaspar, do Centro Estadual de Odontologia para Pacientes Especiais (Ceope), com a participação voluntária da cirurgiã Cybelle Pinheiro. A ação conjunta reforça o papel da Santa Casa como referência em atendimento pediátrico e cirúrgico especializado.
Segundo a direção da unidade, a cirurgia amplia a capacidade de atendimento a casos raros e complexos dentro do próprio Estado, fortalecendo a rede pública de saúde. O acompanhamento da criança seguirá nos próximos meses, com foco na evolução clínica e na retirada segura do dispositivo, conforme a resposta ao tratamento.
As informações são da Secretaria de Estado de Saúde, que acompanha o caso e avalia a possibilidade de ampliar esse tipo de procedimento para outros pacientes que apresentem indicação clínica semelhante.
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