Crianças com doenças raras em MT estão sem receber suplemento alimentar da Farmácia de Alto Custo

Mães de crianças que possuem doenças raras estão sem receber suplemento alimentar da farmácia de alto custo, que é fornecido pelo governo em Mato Grosso. A superintendência de Assistência Farmacêutica informou que o suplemento está em falta, mas que existe um procedimento de compra para a reposição.

Segundo a vendedora Jocinete da Silva, a filha tem fenilcetonúria, uma doença que causa um comprometimento neurológico no desenvolvimento da criança, deve tomar 12 medidas de suplemento alimentar todos os dias. O suplemento tem o custo médio de R$ 500.

“Ela teria que tomar 12 medidas diariamente, mas eu consegui com a nutricionista para que diminuísse a dose, para que a lata rendesse”, disse.

O médico pediatra Marciel França Galera explicou que as crianças que tem essa doença, sofre com a deficiência de uma enzima, que pode causar lesão cerebral em crianças que estão em desenvolvimento.

“Quando não tem a enzima, se tem o acúmulo dessa substância chamada fenilalanina, que leva a lesão cerebral nos primeiros anos de vida”, contou.

Ele explicou que se o tratamento for feito desde o início da doença o desenvolvimento da criança poderá ser normal.

“Se elas não fizerem esta dieta adequada, elas têm um risco de ter consequências irreversíveis”, avaliou.

O complemento alimentar está na lista dos medicamentos que devem ser fornecidos gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

A farmacêutica Angélica Barros Zanol contou que o filho conseguiu receber o suplemento durante um ano, mas depois precisou entrar com uma ação na Justiça, e não recebe o alimento desde abril deste ano.

Ela contou que, sem o repasse do estado, a família teria um gasto mensal de R$ 1,5 miL.

“É muito inviável esse valor, então os tios, as madrinhas vão comprando aos poucos, mas as vezes ficamos sem”, afirmou.

A Secretaria Estadual de Saúde (SES) informou que não encontrou registro de cadastro da filha da Jocinete, conforme o número do cartão do SUS informado. No caso do filho de Angélica, a secretaria informou que o cadastro está incompleto.

Google Notícias
Siga o CenárioMT

Receba em primeira mão nossas notícias, tendências e exclusivas.