Após décadas de espera, Hospital Central começa a atender pacientes em Mato Grosso sob gestão do Einstein

Depois de mais de 30 anos entre promessas, obras interrompidas e expectativas frustradas, o Hospital Central de Mato Grosso finalmente começa a funcionar. A partir desta segunda-feira, 19 de janeiro, a unidade inicia suas atividades com atendimento ambulatorial regulado pelo SUS, marcando um novo capítulo para a saúde pública estadual. A gestão ficará a cargo do Hospital Israelita Albert Einstein, referência nacional em alta complexidade e inovação médica.

No primeiro dia de funcionamento, cerca de 30 pacientes serão atendidos, todos encaminhados pelo Sistema Estadual de Regulação (Sisreg). Estão previstas 10 consultas pediátricas e 20 atendimentos para adultos, contemplando as especialidades de urologia, cirurgia pediátrica e ortopedia pediátrica. O hospital não atuará como porta aberta: o acesso será exclusivamente por meio da regulação do SUS, uma vez que a unidade foi projetada para procedimentos de alta complexidade.

Para o governo do Estado, o início das atividades representa mais do que a abertura de um hospital. É o encerramento de um ciclo de 34 anos de uma estrutura que permaneceu inacabada e agora passa a integrar, de forma efetiva, a rede pública de saúde. A expectativa é que o Hospital Central se torne referência no atendimento de casos que hoje sobrecarregam outras unidades e geram longas filas de espera.

Hospital Central de Mato Grosso
Crédito – Mayke Toscano | Secom-MT

O secretário estadual de Saúde, Gilberto Figueiredo, classificou a data como histórica. Segundo ele, a retomada e a conclusão do projeto garantem à população um hospital público com padrão tecnológico elevado e atendimento totalmente gratuito. A unidade, destacou o secretário, foi pensada para atender demandas complexas de todo o estado, evitando que pacientes precisem se deslocar para outros centros do país.

Atendimento começa com avaliação clínica e exames

Neste início de operação, o foco será a avaliação clínica detalhada dos pacientes já agendados. De acordo com a diretora do Hospital Central, Alessandra Bokor, as consultas servirão para definir condutas e solicitar exames de apoio que vão embasar futuras cirurgias e tratamentos. A ampliação dos atendimentos ocorrerá de forma gradual, seguindo o cronograma contratual firmado com a administração estadual.

A estratégia é garantir que todos os fluxos estejam ajustados antes da ampliação total da capacidade, assegurando segurança assistencial e eficiência desde os primeiros atendimentos.

Estrutura amplia capacidade da saúde pública

O Hospital Central chega com uma estrutura de grande porte. São 287 leitos, sendo 191 de enfermaria e 96 destinados a cuidados intensivos, dos quais 60 são de UTI. A área construída saltou de 9 mil para 32 mil metros quadrados, permitindo a instalação de setores especializados e equipamentos de alta tecnologia.

O centro cirúrgico conta com 10 salas convencionais e uma sala híbrida com hemodinâmica, possibilitando procedimentos mais complexos em um único ambiente. Entre os recursos disponíveis estão sistema robótico para cirurgias minimamente invasivas, dois tomógrafos, dois aparelhos de ressonância magnética, equipamentos de eletroencefalografia, sistema completo de endoscopia e tecnologia de oxigenação por membrana extracorpórea (ECMO).

Impacto direto para pacientes de todo o estado

A entrada em funcionamento do Hospital Central deve gerar efeitos práticos imediatos. A principal aposta do governo é a redução da fila por procedimentos de alta complexidade, especialmente aqueles que hoje dependem de vagas em hospitais de referência fora de Mato Grosso. Com isso, pacientes ganham tempo, reduzem deslocamentos e têm mais chances de tratamento próximo da família.

Além do impacto assistencial, a unidade também fortalece a rede pública ao concentrar tecnologia, profissionais especializados e gestão hospitalar avançada. A previsão é de que, com a expansão gradual dos serviços, o hospital atue como pilar estratégico para casos de maior complexidade, desafogando outras unidades do SUS.

Com os primeiros atendimentos iniciados e a ampliação programada ao longo dos próximos meses, o Hospital Central começa a cumprir o papel que lhe foi destinado há décadas: oferecer atendimento público de alta complexidade e elevar o patamar da saúde em Mato Grosso, com responsabilidade, regulação adequada e foco na vida do paciente.

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