A situação envolvendo a possível retirada de 650 famílias de seus lares em Cuiabá gerou uma mobilização institucional liderada pela Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT). O presidente do Parlamento, deputado Max Russi, iniciou uma articulação direta para buscar uma solução conciliatória que evite o cumprimento de uma decisão judicial de reintegração de posse. O objetivo da medida é impedir um impacto social de grandes proporções em diversos residenciais da capital, onde moradores vivem há décadas.
O impasse jurídico tem origem em uma decisão da Primeira Vara Cível de Cuiabá em favor da empresa Trunk Gestão Empresarial Ltda., envolvendo ativos da massa falida da antiga Trese Construtora. O processo, que tramita há cerca de 30 anos, atinge famílias que ocupam imóveis nos condomínios Lavras do Sul I e II e no Residencial Villas das Minas. Muitos desses moradores alegam que, após a falência da construtora original, investiram recursos próprios para concluir as obras e realizar melhorias estruturais nas unidades.
Como estratégia para proteger as famílias, a Procuradoria da ALMT ingressará no processo como Amicus Curiae, fornecendo suporte técnico e jurídico para sensibilizar o Poder Judiciário sobre a gravidade social do caso. Além disso, Max Russi busca uma agenda com a presidência do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT) para propor mecanismos de mediação que permitam suspender ou reavaliar a ordem de despejo, que prevê inclusive o uso de força policial para ser executada.
A atuação do Legislativo é vista como uma tentativa de equilibrar o direito de propriedade com o princípio da dignidade da pessoa humana. Para as lideranças comunitárias, a interferência institucional traz uma esperança de que o impasse possa ser resolvido por meio de um acordo financeiro ou de regularização, evitando que centenas de pessoas fiquem desabrigadas após anos zelando por seus lares em Cuiabá.
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