Luana celebra trajetória rumo à Copa e ao futsal feminino

Ala da Seleção relembra desafios até chegar ao Mundial histórico.

Luana, ala da Seleção Brasileira de futsal feminino, vive às vésperas da primeira Copa do Mundo da modalidade com a maturidade de quem transformou obstáculos em combustível para escrever sua própria história no esporte. Em entrevista à CBF TV, a atleta reviveu o caminho que a levou de Cianorte, no interior do Paraná, ao cenário mais importante já organizado pela FIFA para o futsal feminino — um marco também para a CBF, que há anos estrutura categorias e seleções permanentes para ampliar o desenvolvimento da modalidade no país.

Assim como muitas meninas brasileiras que cresceram enfrentando barreiras sociais e falta de incentivo, Luana precisou romper preconceitos dentro e fora de casa. Jogando descalça nos campos e quadras públicas de Cianorte, descobriu o talento ainda na escola, quando um professor identificou seu potencial e a orientou a seguir no esporte. A família, no entanto, não via no futsal uma alternativa de futuro. Com persistência, ela mostrou que era possível transformar o sonho em caminho profissional.

Sua primeira grande oportunidade veio aos 15 anos, no Café Futsal (atual Cianorte Futsal). Com apenas 16, foi promovida ao time adulto e, a partir de 2016, consolidou-se como atleta profissional. Em seis temporadas, conquistou títulos importantes — como a Libertadores e a Supercopa — e concluiu a graduação em Educação Física graças a parcerias do clube. Em 2022, deixou Cianorte para defender o Stein Cascavel, uma das principais equipes do país.

A chegada à Seleção Brasileira aconteceu em 2021, quando recebeu sua primeira convocação. Mesmo tratada inicialmente como chamada apenas para treinamentos, o momento marcou o início de uma nova etapa. Dois anos depois, disputou o Torneio Internacional de Xanxerê e se firmou no grupo. A convocação para a primeira Copa do Mundo pegou a jogadora de surpresa e gerou uma explosão de alegria entre as colegas de equipe.

O Brasil passou por preparações em Lages, na Granja Comary e já na Tailândia — cada fase servindo para ajustar sistemas de jogo e fortalecer o espírito coletivo, segundo a própria CBF. Na Granja, especialmente, o ambiente profissionalizado das Seleções Brasileiras reforçou o senso de pertencimento e responsabilidade do grupo.

Luana reconhece o peso histórico deste Mundial, que reúne 24 seleções em um momento determinante para a evolução global do futsal feminino. Para ela, o torneio representa não apenas uma disputa esportiva, mas a materialização de décadas de luta das mulheres que abriram caminho na modalidade. Mesmo diante do reconhecimento internacional, mantém os pés no chão quando o assunto é favoritismo, destacando que a força do Brasil está no coletivo.

Com foco no legado, a ala espera que a competição impulsione as próximas gerações e fortaleça ainda mais a modalidade em território nacional — onde o futsal tem tradição consolidada e uma estrutura competitiva crescente, liderada por clubes como Stein, Taboão, Female e pela própria CBF, que agora integra o futsal feminino aos seus principais projetos.

Para quem acompanha a evolução da modalidade e busca mais notícias de esportes, o Mundial se apresenta como um capítulo decisivo para o futuro do futsal brasileiro.

Google Notícias
Siga o CenárioMT

Receba em primeira mão nossas notícias, tendências e exclusivas.