Rec-Beat celebra 30 anos e reforça aposta na diversidade musical

Festival pernambucano chega à 30ª edição mantendo o foco na música independente e amplia espaço para a cena eletrônica no Cais da Alfândega.

O Rec-Beat completa 30 anos consolidado como um dos principais espaços de difusão da música independente e multicultural no Brasil. Realizado durante o Carnaval do Recife, o festival mantém a proposta de unir tradição e vanguarda, reunindo diferentes gerações e estéticas no Cais da Alfândega.

Criado em 1995 pelo jornalista e produtor cultural Antonio Gutierrez, conhecido como Gutie, o evento surgiu em meio à efervescência cultural dos anos 1990, período marcado pelo movimento Manguebeat. A iniciativa começou como uma festa em um casarão no centro histórico do Recife e ganhou força ao longo dos anos, ampliando o alcance para artistas de diversas regiões do país, da América Latina e da África.

A edição comemorativa começou no sábado de Carnaval e segue até a terça-feira, transformando o espaço histórico em território de experimentação sonora. Entre os destaques da programação estão nomes como NandaTsunami, AJULLIACOSTA, Carlos do Complexo, Jadsa, Djonga, Johnny Hooker, Chico Chico, Josyara e Felipe Cordeiro, que celebra duas décadas de carreira ao lado da cantora Layse.

Uma das novidades desta edição é o fortalecimento da presença eletrônica na grade. Gutie lançou o selo Moritz, dedicado a apresentações de DJs nacionais e internacionais, com a proposta de se tornar também um evento autônomo no futuro. A iniciativa reforça o diálogo entre o eletrônico e manifestações tradicionais como maracatu, frevo e afoxé, elementos que sempre fizeram parte do DNA do festival.

Ao longo de três décadas, o Rec-Beat acompanhou transformações no cenário cultural e enfrentou desafios financeiros. Segundo o fundador, períodos de instabilidade política e econômica, como os anos de 2015 e 2016, exigiram reestruturação na captação de recursos. Atualmente, o festival conta com apoio da Prefeitura do Recife, do Governo de Pernambuco, por meio da Fundarpe, além de patrocínios e mecanismos de incentivo cultural.

Mesmo com dificuldades enfrentadas por festivais independentes no país, Gutie afirma que o Rec-Beat nunca deixou de ser realizado, exceto durante a pandemia. O evento também se articula com redes nacionais e internacionais, participando de circuitos e iniciativas voltadas ao fortalecimento da indústria musical.

Para o idealizador, a principal missão do festival é apresentar novas possibilidades ao público. “O novo sempre vem”, resume Gutie, ao destacar que o evento busca surpreender espectadores ao apresentar artistas e sonoridades que vão além do circuito comercial tradicional.

Com público majoritariamente jovem e renovado a cada edição, o Rec-Beat segue como uma das programações que complementam o Carnaval do Recife, somando-se à festa popular sem disputar espaço com as manifestações de rua. Três décadas depois, o festival reafirma sua vocação para a descoberta e para a circulação de novas ideias musicais.

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