Música de Brasília revela talentos com carreira internacional

Artistas formados na Escola de Música de Brasília relatam trajetórias marcadas por desafios, estudo e reconhecimento no Brasil e no exterior.

Caminhos longos, rotinas exaustivas e realidades sociais difíceis fazem parte da história de músicos que hoje constroem carreiras internacionais após iniciarem a formação na Escola de Música de Brasília. A instituição pública se tornou ponto de partida para talentos que ganharam espaço em universidades, orquestras e palcos ao redor do mundo.

Um desses exemplos é o oboísta Ravi Shankar Domingues, que começou a estudar música ainda criança, conciliando aulas, trabalho informal e deslocamentos diários entre o Entorno do Distrito Federal e a capital. Foi na adolescência que ele teve contato com o oboé, instrumento que definiu sua trajetória profissional, apesar das dificuldades financeiras e da distância até a escola.

Com esforço pessoal e apoio familiar, Ravi ingressou na Escola de Música de Brasília após processo seletivo. A rotina incluía sair de casa antes do amanhecer e retornar tarde da noite. Anos depois, construiu uma carreira sólida, integrou orquestras de destaque no país e atualmente é professor universitário, além de atuar na criação de iniciativas voltadas às condições de trabalho dos músicos.

Durante o curso internacional de verão promovido pela escola, Ravi retornou como professor convidado. O reencontro com os corredores da instituição reforçou o papel formador da escola, tanto no ensino musical quanto no acolhimento social, segundo o próprio músico.

O diretor da Escola de Música de Brasília, Davson de Souza, destaca que a proposta do curso é unir formação técnica e inspiração. Para ele, trazer ex-alunos reconhecidos nacional e internacionalmente aproxima os estudantes da realidade profissional e mostra que a música pode ser um caminho viável de vida.

Outro exemplo é o trombonista Lucas Borges, hoje docente em uma universidade nos Estados Unidos. Ele iniciou a formação em bandas escolares no Distrito Federal e encontrou na escola brasiliense o espaço para aprofundar os estudos. O primeiro trombone foi comprado com recursos obtidos em apresentações de carnaval, experiência que marcou o início da profissionalização.

Lucas seguiu carreira acadêmica, com mestrado e doutorado no exterior, e atua como professor universitário há mais de uma década. Histórias semelhantes são compartilhadas por outros músicos formados na escola, como José Milton Vieira, integrante de uma orquestra filarmônica na Austrália.

A nova geração também mantém essa presença internacional. Jovens instrumentistas formados em Brasília estudam e trabalham em países como Estados Unidos e França, levando sons brasileiros para diferentes públicos. Para eles, a formação recebida na escola foi decisiva para a construção da identidade artística e para a abertura de oportunidades fora do país.

As trajetórias mostram como o investimento em educação pública e cultura pode transformar realidades individuais e projetar a música brasileira no cenário internacional.

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