Entre cantos tradicionais, bandeiras bordadas e rituais que atravessam gerações, a Folia de Reis volta a ocupar o Museu Vassouras, no interior do estado do Rio de Janeiro, neste fim de semana. A programação reúne cortejos, atividades educativas e poesia, reforçando o papel do museu na preservação das expressões culturais do Vale do Café.
O encontro promove duas jornadas de folia, além de ações voltadas à educação patrimonial e à valorização dos saberes populares que ajudam a construir a identidade cultural da região.
Segundo a diretora artística do Museu Vassouras, Catarina Duncan, a presença das Folias de Reis no espaço tem um significado especial. Para ela, o evento simboliza a valorização do sagrado, do território e das pessoas que mantêm viva a tradição, além de estimular o diálogo entre diferentes gerações de foliões.
Jornadas tradicionais
No sábado (3), a partir das 16h, o público acompanha o cortejo da Jornada Jardim do Éden, conduzida pela mestra Rita de Cássia. O grupo percorre os espaços do museu com cantos, violas, pandeiros e a bandeira que simboliza a jornada.
Às 17h, a programação segue com a Jornada Descendentes de Davi, liderada pelos mestres Tiago Meirelles e Lelê, reforçando a força coletiva da manifestação e a continuidade da tradição entre gerações.
No domingo (4), das 10h às 12h, o Educativo do Museu Vassouras promove a Oficina de Bandeiras de Folia. Aberta a visitantes de todas as idades, a atividade destaca a bandeira como elemento central das jornadas, reunindo símbolos religiosos, memórias familiares e referências do território do Vale do Café.
O encerramento ocorre às 16h, com a Roda de Poesias dos Soldados da Divina Irmandade do Oriente, quando a palavra falada se integra à música e ao gesto, reforçando o caráter oral e comunitário da Folia de Reis.
Diálogo cultural
De acordo com a organização, ao integrar cortejos, ações educativas e poesia, o encontro reafirma o museu como um espaço vivo de circulação cultural, fortalecendo vínculos com a comunidade local e reconhecendo a importância das manifestações populares para a história de Vassouras e do interior fluminense.
Além da programação dedicada à Folia de Reis, o museu recebe o artista Pandro Nobã em uma visita especial às obras Ao longe e Céu na Terra, que integram o eixo Vapor da exposição Chegança. A proposta amplia o diálogo entre arte contemporânea e tradição popular.
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